domingo, 29 de dezembro de 2013

A DEFORMA DO ESTADO

[Reforma de Estado
A questão dos incentivos ao desempenho na administração pública, nomeadamente na da Saúde, é um daqueles temas malditos, com escassos intervalos de lucidez governativa.


Começo por avisar que vou tratar de um tema onde tenho interesse pessoal, por ter sido o ministro da saúde responsável pela sua criação: as unidades de saúde familiares (USF). Muito do que escrever será sempre afectado pelo enorme interesse cívico que tenho no sucesso dessa reforma.
São duas as razões que me levam a passar a barreira da reserva: o tratar-se de uma essencial e unanimemente aplaudida reforma dos cuidados de saúde primários, com provas registadas e riscos anunciados de que ela possa desaparecer. Nesta mesma página, Francisco Ramos, que acompanhou a reforma como secretário de estado no tempo em que fui ministro, explica de forma clara o que trouxeram as USF. Basta consultar alguns Portugueses que as frequentem regularmente e comparar a evolução de gastos associados à consulta. Digamos ainda, por ser verdade, que as USF só foram possíveis por terem sido preparadas, desenhadas, administradas e animadas por médicos e enfermeiros que, com sacrifício da sua comodidade, estiveram dispostos a alterar o ineficaz e ineficiente modelo dos centros de saúde convencionais em unidades onde o doente tivesse sempre consulta marcada, sem ter que ir às seis da manhã buscar a senha para um contacto que podia ocorrer apenas às doze, ou nem sequer ocorrer. Que pudesse falar ao telefone com seu médico e que caso ele estivesse ausente, em serviço ou formação, pudesse ser visto com todo o seu processo clínico por um colega. Um dos elementos essenciais desta revolução seria o pagamento em duas componentes, uma de base, que servisse para garantir os direitos dos profissionais à pensão correspondente à sua categoria profissional e outra, proporcional ao desempenho. Naturalmente, incentivos paralelos (não equivalentes) foram criados para enfermeiros e secretários clínicos, sem cujo contributo o sistema não pode funcionar. Certamente as despesas directas com pessoal aumentaram, mas foram compensadas pela redução de horas extra, encerramento de serviços de atendimento permanente e urgências nocturnas, pela redução dos encargos em medicamentos e meios de diagnósticos e sobretudo pela poupança de tempo do doente, simplificação do processo, qualidade do atendimento e pela visível satisfação para doentes e profissionais que consideram as USF como coisa sua.
Apesar de recente, o modelo foi adoptado pela Troika, merecendo referência expressa no primeiro memorando de entendimento como medida a prosseguir e a generalizar. O reconhecimento internacional tem sido unânime, de países tão diversos como Argentina e Canadá.( o nosso herói anda a ler pouco e tem a bússola avariada). A criação de novas USF tem crescido a ritmo lento, sobretudo nos últimos anos, das 106 que existiam em Janeiro de 2008 quando cessei funções, a um pouco menos de 400 que agora existem. Várias explicações concorrem: fadiga do entusiasmo após a “first move advantage”, passagem à reforma de muitos médicos e enfermeiros de família, ausência de ânimo dos serviços e seus sucessivos dirigentes, restrições financeiras mesmo para as pequenas obras e equipamentos necessários, contaminação pelo ambiente depressivo geral do País e concentração da mensagem política do Governo, em geral, na teoria do abuso e castigo.
A questão dos incentivos ao desempenho na administração pública, nomeadamente na da Saúde, é um daqueles temas malditos, com escassos intervalos de lucidez governativa. Paulo Mendo e Leonor Beleza, cada um a seu tempo e de modos diferentes, tentaram criar sistemas de incentivos. Mendo, como confirmador da carreira de medicina familiar (após a sua criação frustrada pelo Governo Pintasilgo) e forte contribuinte dos centros de saúde de segunda geração, tentou denodadamente junto do ministério das finanças substituir ou complementar o pagamento por ordenado por retribuição por desempenho. Sem sucesso. Conhecendo eu a mentalidade prevalente naquele ministério, onde o pavor do incerto vence sempre a eficiência da inovação, tinha obrigação de não me deixar derrotar. Poupo nos pormenores, apenas para referir que me joguei todo no prato da balança. Convenci o governo e as finanças, duas entidades distintas como todos sabemos. Lá ficaram na lei os incentivos e até aqui têm sido bem administrados.
Nesta semana fomos surpreendidos por uma notícia fatal: as administrações regionais de saúde haviam comunicado que estava suspensa uma das componentes salariais devidas a enfermeiros e a secretários clínicos. Informação real. No dia seguinte o Ministério comunicava que o Governo estava a “estudar a forma de repor os pagamentos a todos os profissionais, sem ferir a legalidade”. Seja o que for que queira dizer esta expressão, entendo-a como o resultado de bom senso e espero que ela se transforme, nesta época festiva, em notícia de que “o governo, em cumprimento das obrigações assumidas com a Troika, resolveu fixar em 500 a meta de USF em pleno funcionamento até final do ano de 2014”. Seria confirmar uma consensual reforma de estado. - Deputado do PS ao Parlamento Europeu].
NB:
Vamos tecer algumas considerações, relativamente lógicas, em termos de justiça, sem pôr em causa o cumprimento dos contratos celebrados, entre USF-Governo.

Não sabemos em que lógica de justiça social se baseia o conceito do incentivo ao incumprimento para receber prémio para fazer exactamente o mesmo que, ao lado, outros fazem sem o prémio incentivador.
Mais parece uma imitação do miudo que faz birra para comer a sopa e a mãe lhe promete tudo, para ele ir comendo e rabujando, porque sabe que a sua força está na rabugice. O Zé Povo diz isto de outra forma: «ovelha que não berra não mama». Lembramos este mesmo ditado aos nossos colegas, mas nem sempre nos entendem...

Voltemos aos RRE (Regime Remuneratório Experimental). Este regime funcionou por capitação: tantos utentes, na lista dos ditos, tantos escudos por cabeça, onde estava incluído o pagamento aos Enfermeiros do RRE médico. A lista de utentes até podia estar guardada numa caixa de sapatos vazia, como dizia Paulo Mendo, pois esta coisa da informática, ainda vinha longe e, nem mesmo os mais visionários, a divisavam, então.
Portanto o Médico comprometia-se a tratar condignamente os utentes da sua lista, a quem fornecia nomeadamente "cuidados  Enfermeiros", pagando aos Enfermeiros de acordo com a percentagem auferida para esse efeito.
Convém lembrar aos que ainda não eram nascidos, que, no RRE, tal pagamento aos Enfermeiros, nunca foi feito, sendo os serviços de Enfermagem fornecidos de graça (pagos pela ARS, claro está, aos Enfermeiros seus funcionários).
Dizem os teóricos de certas áreas sociais que o "pecado original" é que nos condiciona. Assim, a ética católica, ao determinar, em nome de Deus Pai Todo Poderoso, quando expulsava o casal Adão/Eva, do paraiso: «Comerás o pão com o suor do teu rosto, determinou o Soberano», é uma ética punitiva.
O trabalho passa a ser um castigo para redimir o pecado original que comete quem gosta de maçãs.
A ética protestante diz, pelo contrário, que o "trabalho digtnifica o homem". Logo, quanto mais trabalha, maior é o sucesso e a dignidade.
O conflito entre estes dois conceitos é que determina o ritmo e a quantidade de trabalho.
Se extrairmos da ética católica a ideia de que o trabalho é a redenção do pecado original e a do pão suado, talvez se dispensem os incentivos para fazer bem o que faz de má vontade.
O RRE está subjacente  à concepção do DL Decreto-Lei n.º 298/2007, de 22 de Agosto, como se pode constatar pelo espírito que o legislador lhe implantou. Ora, desde Montesquieu, autor de "l'Esprit des lois, em 1748",  admite-se que, nas leis, o seu espírito é a matriz de condução, na sua interpretação. 
  Olhemos, por momentos, o espírito do DL Decreto-Lei n.º 298/2007, de 22 de Agosto;
 
[Nos termos da base xiii da Lei de Bases da Saúde, os cuidados de saúde primários (CSP) são o núcleo do sistema de saúde e devem situar-se junto das comunidades.
Tendo presente o exposto, o Programa do XVII Governo Constitucional assume a reforma dos CSP como factor chave de modernização e, dando cumprimento ao preceito legal acima enunciado, prevê a criação de instrumentos legais e operacionais que permitam recentrar o sistema português de saúde nos CSP e no desenvolvimento de uma matriz organizativa que conduza à reconfiguração dos centros de saúde orientada para a obtenção de ganhos em saúde e melhoria da acessibilidade.
Foi neste contexto que o Decreto-Lei n.º 88/2005, de 3 de Junho, repristinou o Decreto-Lei n.º 157/99, de 10 de Maio, que estabelece o regime de criação, organização e funcionamento dos centros de saúde, reestruturando-os em unidades funcionais, com especial ênfase para as unidades de saúde familiar (USF).
No mesmo sentido, o Despacho Normativo n.º 9/2006, de 16 de Fevereiro, com a redacção introduzida pelo Despacho Normativo n.º 10/2007, de 26 de Janeiro, regulamentou o lançamento e a implementação das USF enquanto estruturas constituídas por uma equipa multiprofissional, prestadoras de cuidados de saúde personalizados a uma população determinada, garantindo a acessibilidade, a continuidade e a globalidade dos cuidados prestados.
A autonomia organizativa e funcional para as USF, adoptada pelo supracitado despacho, inspirou-se nas experiências inovadoras anteriormente desenvolvidas nos centros de saúde, e que deram corpo a novas formas de organização dos cuidados de saúde, entre as quais se salienta o regime remuneratório experimental (RRE) estabelecido para os médicos.
Este modelo, em vigor desde 1998, permitiu, após várias avaliações, identificar ganhos em saúde e aumentar a qualidade dos cuidados prestados, com satisfação para os utilizadores e para os profissionais.
Acresce salientar que, em estudo recente sobre o impacte orçamental do lançamento e implementação das USF, conduzido por especialistas em economia da saúde, concluiu-se que o modelo organizativo agora proposto, construído à semelhança do RRE, vai permitir consideráveis reduções de custos na prestação de cuidados de saúde, contabilizando já incentivos para os elementos das equipas multiprofissionais.
Com efeito, equipas multiprofissionais motivadas, portadoras de uma cultura de responsabilização partilhada e com práticas cimentadas na reflexão crítica e na confiança recíproca, constituem o principal activo e a mais-valia estratégica das USF e, consequentemente, são os intérpretes mais qualificados para conduzir a reforma dos CSP.
Perante os resultados obtidos, e dado o objectivo estratégico fundamental da melhoria contínua da qualidade dos cuidados de saúde, torna-se imperativo transpor, consolidar e alargar o modelo de incentivos dos médicos a todos os profissionais das USF, potenciando, deste modo, as aptidões e competências de cada profissional e premiando o desempenho individual e colectivo, tendo em vista o reforço da eficácia, da eficiência e da acessibilidade dos cidadãos aos CSP.
Este modelo, semelhante ao implementado pelo Decreto-Lei n.º 117/98, de 5 de Maio, aplica aos profissionais da equipa nuclear um regime de suplementos associados à dimensão mínima da lista de utentes ponderada, quanto às suas características, com a contratualização anual de actividades específicas de vigilância a utentes considerados mais vulneráveis e de risco, e, quando necessário, com o alargamento do período de cobertura assistencial e com a carteira adicional de serviços.
Paralelamente, o modelo expresso no presente decreto-lei obriga ao acompanhamento e controlo de procedimentos e avaliação de resultados, distinguindo as diferenças de desempenho por referência a painéis de indicadores, a economias nos custos, a níveis de satisfação dos utilizadores e dos profissionais, bem como à implementação de programas de qualidade e de processos de acreditação.
Importa salientar que o presente diploma acolhe os princípios orientadores em matéria de vinculação, carreiras e remunerações da Administração Pública, sem prejuízo da sua oportuna revisão aquando da publicação do competente diploma.
Foram observados os procedimentos decorrentes da Lei n.º 23/98, de 26 de Maio].
Podemos inferir que este espírito ao passar para o reino dos incentivos teria um pagamento "Per Capite", enquanto forma de pagamento, das USF modelo B, prescindindo os seus constituinte da remuneração de base, pois a questão dos descontos para a segurança social é letra de música. Nada que a letra da lei não possa condicionar.
Aqui está para muita gente a confusão original de pagamento por cabeça da lista, sendo o mesmo método aplicado a todos os embros da equipa. E não foi, nem é.
É por aqui que passa a disória dos que nas outras USF optaram por manter o seu vencimento base de carreira, rejeitando voluntariamente o sistema de pagamento por desempenho duma actividade irregular e permanentemente alterada pela contratação de novas bolsas de tarefas a cumprir que , assim, fazem crescer ou manter a remuneração condicionada à bolsa de serviços, ou qualquer outra designação com o mesmo fim: tarefeas a cumprir.
Ora, se para a totalidade das tarefas contratadas, lá estão os incentivos, qual a actividade laboral, que justifica a remuneração de categoria de carreira, se, nomeadamente, toda essa lógica de carreira, é suspensa com o contrato celebrado entre os proponentes da USF tipo B e o Estado!
Os ganhos obtidos segundo CC, esse tomba-louceiros e quebra cadeiras, pondo em evidência a fragilidade do material destruído e a da sua saúde mental, são:
[Certamente as despesas directas com pessoal aumentaram, mas foram compensadas pela redução de horas extra, encerramento de serviços de atendimento permanente e urgências nocturnas, pela redução dos encargos em medicamentos e meios de diagnósticos e sobretudo pela poupança de tempo do doente, simplificação do processo, qualidade do atendimento e pela visível satisfação para doentes e profissionais que consideram as USF como coisa sua.]
E não para atender doentes, que, entretanto desapareceram com a implantação dos incentivos.
Até parece que os inventores das doenças têm existência real como prova exaustivamente Jörge Black, nos "inventores de doenças".
Um malintencionado, com a mente mais perversa que a minha, pode inferir que o maior consumo de medicamentos e meios complementares de diagnósticos e horas extraordinárias em SAP, quando  os Médicos foram sendo expulsos das urgências dos Hospitais, está directamente relacionado com a forma mais directa e prática de ganhar dinheiro e não relacionado com as necessidades reais dos doentes.
Todas essas formas de atendimento e consumo, não estando relacionadas com as necessidades dos doentes, pois diminuiram ou dersapareceram com a forma de pagamento incentivador, aos incentivados Médicos, segundo diz Correia de Campos, em mais uma das suas tombalouceiradas, então os gastos com aquelas coisas eram mesmo fraudulentos, pois não se destinavam a pagar produtos necessários aos doentes, mas sim a comissionar uma actividade, permanentemente embirrada pelo agente usufrutuário da comissão, usando a estratégia infantil do menino que não quer comer a sopa e que a mãe suborna, com piedosas intenções de o engordar.
Com os incentivos os doentes deixaram de se sentir mal de noite e os SAP puderam encerrar;
As doenças deixaram de precisar de tantos medicamentos e  os poucos, podem ser dos mais baratos, possibilitando a implantação dos genéricos, porque as comissões, sempre supostas, deixaram de ser necessárias, até para estudar novas técnicas os Médicos passaram a estudar em casa e em sossego, longe do rebulicio imagiário das salas dos congressos, longínquas e vazias, nas horas de sol calcificador de ossos fragilizados por falta da absorção da vitamina, que fixa o cálcio.
Nunca tinha olhado tanto de perto as suas ideias, sobre a economia para a saúde, especialidade que obteve com bolsa a si próprio por si próprio atribuída; que o diga o Almirante, testemunha idónea.
Mas ainda fico mais baralhado, quando não sei por que fundamentou as vantagens dos incentivos desta maneira. Com apoiantes destes, não é preciso defenderem-se de outros, que não vão tanto ao centro das coisas, como este foi.
Mas que pensa das outras USF sem incentivos:
São as que fazem o que faziam os destas do tipo B, antes dos incentivos, para merecerem serem incentivados, também e passarem a B ?
Estará este deputado europeu a sofrer de um processo de evolução silenciosa e acelrada de "alzaimer"?
Com amigos destes lá se vão os inimigos para o desemprego, aumentando a lista.
 
 
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OS DESERDADOS

(in Expresso  de 28-12-13)
 
NB:
Como é possível transformar 321 Médicos numa espécie de patinhos feios, que não têm direito a entrar  "no seio do bando da patada", sábia e altamente especializada, em generalidades, muitas delas, desde as nomenclaturas, às práticas, não passam de cuidados de Enfermagem mal traduzidos, a começar pelo nome "Enfermeiro de Família" que já possuem desde 1883, com Ethel Fenwick, a tal que fundou o ICN; como é possível!???
Não sou a pessoa mais indicada para lhes dar conselhos, dada a minha objecção de consciência profissional e a opção pela morte natural, assistida ou solitária, pois não deve haver substitutos ou acompanhantes, para estes casos; não obstante, atrevo-me a sugerir-lhes que se mascarem de índios e passem uns tempos na Patagónia, ou nas selvas da Amazónia; ou nas da Colombia; em Cuba, no Alentejo, ou na América Central.
Mas, se não puderem gastar dinheiro para adquirir esses saberes, podem estagiar, uns meses, com alguns desses indígenas, que há por aí. A zona mais fácil de os encontrar é... no Alentejo.
Se puserem uma peninha de ave rara, na cabeça e uns traços coloridos no rosto, que, na selva, têm o mesmo significado que os galões, nos oficiais, ou o das divisas, nos sargentos do exército, com as necessárias adaptações regulamentares, obviamente, poderão ser contratados como eles, os peritos nessa matéria da "Medicina Familiar", feita como se pode demonstrar, ponto por ponto, da Enfermagem individual, à família e à comunidade. Es tríade podem encontrá-la, facilmente, na literatura dos Enfermeiros.
A propósito, lembram-se dos pruridos que a palavra consulta causou, quando começou a ser usada pelos Enfermeiros?
Se em vez de andarem a exercer medicina, nas famílias e fora delas, andassem a dedicar-se, por exemplo, a chocar ovos, sentados longas horas, nas cadeiras dos pequenos poderes, das ARS, ACES e da política, em geral, até podiam obter a tal especialização de "Enfermagem Familiar", que foi trnsformada em "Medicina Familiar", também por culpa de muitos Enfermeiros, que os andaram e andam a ensinar.
Imagine-se que eu era árbitro desta causa ou cousa e podia fazer duas perguntas a um familiar e outras duas a um não familiar?
Uma seria, necessariamente, sobre o que andou a fazer e onde, nos últimos 20 anos;
a outra seria: quantos membros tem e como se caracteriza uma família, para fins de medicina familiar?
A situação destes Médicos, ainda é mais deprimente, pior que a dos Enfermeiros; pelo menos estes, ainda podem exercer a especialidade, desde que não exijam mais dinheiro por isso, nalguns casos até tivemos de intervir, porque queriam forçá-los, mas sem direito a remuneração, que é para equilibrar com os que têm remuneração, a mais. (lembrem-se dos que ganham 7, 8, 25 mil euros, por mês. A fonte é do então Secretário de Estado da Saúde e Saúde, em reunião geral, pela altura da entrada em perda do Governo anterior, chefiada pelo clandestino tirocinante em vendedor de plasma com a marca Octafarma). Já iremos, noutra epígrafe, abordar esta questão remuneratória, seguindo o modelo campesino, do tipo CC/Telheiras.
Então aquele trocadilho das 5 horas de uns, com 40% de acréscimo e a possibilidade de outros, poderem ficar nas 35 horas, a seco, porque compraram a bula ao papa Paulo, naquele domingo do curto espaço pré-troikiano, e até, conseguiram de brinde, poderem comer carne às sextas feiras, imitando outras religiões, como a de Roma; enquanto os do grupo dos 300 (expressão criada pela invasão silenciosa dos chineses, a caminho do Algarve, ricos e anafados com a electricidade que os rios do Norte produzem; as ventoinhas ou eólicas estão a matar a espécie dos morcegos protegida, que também são mamíferos, ou mamões, em vias de extinção) até podem ter de fazer as 40 horas, mas sem mais um cêntimo... como, por enquanto, os Enfermeiros. Conseguida a reposição das 35 horas, vamos tentar ajudar os deserdados, dado o nosso filantropismo natural e também; para possibilitar ao Bastonário, mui Nobre e Digno, da Ordem dos Médicos, treinamento em reacções a causas estranhas. Ele gosta tanto de treinar com coisas de causas banais, não é!?
Foi por causa destas contas, que ficcionámos, há dias, provando, com lógica, na coisa, que a casta dos eleitos, descendentes directos da cabeça do Brama, tinham de fazer, no mínimo, 45 horas semanais, para terem direito aos 40% de acréscimos, mais coisa menos coisa, uma vez que as 40 horas semanais, passaram a ser normais, para os párias e marginais. Ora, sendo os 40% uma espécie de disfarce tosco, do tipo "gato escondido com rabo de fora", a fingir que faziam, mesmo, mais 5 horas, por semana, sem controlo eficaz,  (porque controlo àquele nível é ofensa), dos que, então, somente trabalhavam 35 horas semanais, sem mas nem meio mas... os cabeçudos da cabeça do Santo Brama, terão de estar acima da média horária, para terem direito a receber, de forma diferente; ontem eram 35 horas semanais, a média; hoje, são 40 horas msemanais, a média; donde, se estes privilegiados de casta, estão acima da média horária, ainda que fictícia, para eles, é lógico supor que tenham de fazer 45 horas, ou mais, ensaiando, neles, também, aquela coisa esquisita que ataca, actualmente, os Enfermeiros: o virus do sisqual, que consegue produzir anti-horas ou horas negativas, que são diferentes daquelas que faziam parte da canção do falecido A. Mourão: «Ó tempo, volta para trás, dá-me tudo o que perdi», ai, ai...
Se o George Orwell pudesse actualizar aquele texto do "triunfo dos porcos", na quinta dos animais, com mais estas derivações exemplares, pela riqueza do seu significado ôntico, certamente o classificativo dos "animais mais iguais" já não era suficiente para traduzir estas categorias fenoménicas. O Napoleão tinha que puxar pela cabeça porcina para lapidar novos mandamentos.
Como nós temos, também,  de treinar técnicas de paciencificar a nossa sede de revolta, contra as injustiças, que alargam a casta dos deserdados. A estratégia da ferrugem, que estamos a usar, como fazem os eleitos, na criação de listas de espera; é eficaz, mas muito lenta e silenciosa, por isso leva tempo a espalhar.
Um pouco de agitação, ainda que a fingir, neste mundo do faz-de-conta, onde as duas negativas  se transformam numa positiva (ficção com faz-de-conta) dava alguma animação à nossa triste sina de entulho da gleba, num feudalismo tardio, extemporâneo!
Com amizade e votos de Boas Festas

sábado, 28 de dezembro de 2013

UM BURRO SEM CAUDA A PUXAR A CARROÇA

Aqui está uma bom exemplo do que é pôr um burro sem rabo a puxar uma carroça com areia de mais para as suas possibilidades de tracção.
Podia, pelo menos pedir ajuda ao vizinho do lado, dando-lhe uma piscadela, para não estar a mandar estas "Boquinhas" para o papel, quando nem discernimento tem para saber que o art. 5º da Lei 59/2008 de 11 de setembro determina no «Artigo 5.º
Duração e organização do tempo de trabalho
do pessoal das carreiras de saúde
O regime de duração e organização do tempo de trabalho
aplicável ao pessoal das carreiras de saúde é o estabelecido
nos respectivos diplomas legais.»
E por sua vez o diploma respectivo (DL 437/91 de 8 de novembro 

Nos termos do nº. 6 daquele diploma legal, “os enfermeiros podem trabalhar por turnos e ou em jornada contínua, tendo direito a um intervalo de trinta minutos para refeição dentro do próprio estabelecimento ou serviço, que será considerado como trabalho efectivamente prestado”.
“Os enfermeiros em regime de jornada contínua têm direito, para além do intervalo a que se refere o número anterior, a dois períodos de descanso, nunca superiores a 15 minutos.”(nº. 7).
 Só há dois tipos de horário para os Enfermeiros:
1 - jornada contínua com sistema de turnos;
2 - jornada contínua sem turnos.
Mas já agora, a Lei obriga os Centros de Saúde, todos os, a estarem abertos das 8 às 20 horas ininterruptamente, 
por isso há pelo menos dois turnos, pois um só não dá cobertura à exigência da lei.
Não são os Enfermeiros que devem ser responsabilizados e martirizados pelas asnices alheias, não é verdade!?



Tudo asnice, no doc. abaixo





Tudo que está dito neste documento do ACES é uma prova perfeita de interpretação asnática de tudo o que está legislado sobre horários de Enfermeiros daí o termos recorrido à imagem do burro a puxar a carroça com areia a mais para a capacidade de suporte do bicho, é o mínimo que se pode dizer para desabafo do desconforto que sentimos ao interpretar o espírito de revolta que os visados manifestam.
Com tanta gente boa e possante que anda por aí, por que recorrem a estas pessoas que mandam BOQUINHAS destas.

[Que quem já é pecador/
Sofra tormentos, enfim.../
Mas as crianças, Senhor,/
Por que lhes dais tanta dor?/
Por que padecem assim? (Balada de Neve de Augusto Gil)]

UGT E A FISCALIZAÇÃO DO ORÇAMENTO

UGT REITERA NECESSIDADE
DE FISCALIZAÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE DO ORÇAMENTO DO ESTADO
A UGT sempre defendeu a importância de submeter a proposta de lei de Orçamento do Estado para 2014 a uma fiscalização preventiva de constitucionalidade.
É uma posição que, reiteramos, assenta na convicção da profunda injustiça de várias das normas daquele documento, em que se prossegue e intensifica a via da austeridade, com uma consolidação orçamental a realizar-se por via de novos sacrifícios e cortes impostos a quem já os sofreu no passado.
Assistimos a um agravamento dos cortes nos salários e nas pensões, sobretudo na Administração Pública e no Sector Empresarial do Estado, mas também nas funções sociais, continuando o Governo a passar ao lado dos verdadeiros e necessários cortes estruturais de despesa e a revelar de novo a sua insensibilidade social.
A UGT não esqueceu ainda os efeitos gravosos que tiveram, para os trabalhadores e para o País, as tardias declarações de inconstitucionalidade relativas a orçamentos passados.
O Presidente da República entendeu, não obstante esses condicionalismos, em sentido contrário, não tendo solicitado, nesta fase, a intervenção do Tribunal Constitucional.
É um facto que, até hoje, nenhum Presidente da República realizou tal pedido de fiscalização preventiva. Mas não podemos deixar de destacar que a gravidade deste Orçamento e a situação excepcional com que nos confrontamos exigiriam, no nosso entender, uma intervenção “a priori” do senhor Presidente da República.
No actual quadro socio-económico e político do País, a UGT entende que como essencial que o Presidente da República não deixe de submeter várias normas do Orçamento do Estado à apreciação do Tribunal Constitucional, solicitando a sua fiscalização sucessiva.
A UGT não apenas não deixará de interpelar o Presidente da República para que o faça, mas agirá ainda nesse sentido, quer junto dos partidos políticos com assento parlamentar, quer do senhor Provedor de Justiça, com vista a assegurar o pleno cumprimento da nossa Constituição e o respeito pelo Estado de Direito Democrático.
Fundada nesse respeito, a UGT não pode, por fim, deixar de salientar que, relativamente à apreciação do Tribunal Constitucional sobre a pretensa convergência das pensões do sector público e privado, não se nos afigura existir no acórdão proferido qualquer abertura para que o Governo insista em manter a ideia dos cortes nas pensões.
Tal obstinação do Governo parece-nos contraproducente do ponto de vista institucional e agrava, a nosso ver, a tensão e o clima de crispação entre Órgãos legítimos do nosso regime democrático, para além de consistir, pela gravidade da medida, num contínuo afastamento entre Governo e cidadãos, o que é, de todo, indesejável.
27-12-2014

MANIFESTAÇÕES ESPONTÂNEAS

As manifestações atípicas ainda estão “dentro dos limites” da democracia

Portugal estará em 2014 mais vulnerável a episódios de agitação social, diz um estudo internacional. Politólogos consideram que a contestação deste ano ainda está “controlada” por ser organizada por sindicatos.
A Assembleia da República foi este ano palco de inúmeros protestos inéditos MIGUEL MANSO
Depois das grandoladas, dos sucessivos desacatos nas galerias do Parlamento, da ocupação das escadarias até à porta da Assembleia da República, do braço-de-ferro para atravessar a ponte 25 de Abril, da invasão dos ministérios, 2014 poderá trazer ainda mais protestos.
A previsão é do Economist Intelligence Unit (EIU), um think tankindependente do grupo da revista Economist que se dedica à pesquisa, previsão e análise económica, que coloca Portugal no grupo dos países com “alto risco” de agitação social no próximo ano, quando há cinco anos tinha uma classificação de “risco moderado”.
De um total de 150 países analisados, Portugal está entre os 46 em que o risco de existirem tumultos e protestos em 2014 é alto, havendo depois 19 Estados com “muito alto risco” de terem protestos problemáticos nas ruas.
Na Primavera de 2009, quando os analistas do EIU fizeram a anterior edição do estudo com os mesmos países, Portugal estava no grupo dos que tinham um risco moderado de instabilidade política e social. Mas a realidade portuguesa era também muito diferente nessa altura. Estava-se em ano de eleições - europeias em Maio, legislativas em Setembro e autárquicas em Outubro -, houve aumentos para a função pública e no salário mínimo, e o país observava com alguma distância as consequências da crise do subprime nos Estados Unidos. A crise da Zona Euro só começaria no final de 2009.
Agora, tal como Portugal, há mais 18 países nos grupos de alto risco, que já contam com 65 Estados. O Médio Oriente, Norte de África, Europa do Sul e os Balcãs estarão “particularmente vulneráveis”, aponta o estudo.
De acordo com Laza Kekic, do EIU, ainda que os problemas económicos sejam sempre um pré-requisito para os protestos, não explicam toda a explosão da contestação. “A redução nos rendimentos e a alta taxa de desemprego nem sempre resultam em agitação social. Só quando os problemas económicos são acompanhados por outros elementos de vulnerabilidade há um alto risco de instabilidade. Tais factores incluem uma grande desigualdade nos rendimentos, um governo fraco, baixos níveis de apoio social, tensões étnicas e um historial de violência e desordem pública. Recentemente, a faísca para os tumultos tem sido a erosão da confiança nos governos e nas instituições: a crise da democracia”, afirma a Economist citando Laza Kekic.
"Encenações e happenings"?
Portugal assistiu este ano a um aumento de acções de protesto atípicas, como as grandoladas e as invasões de ministérios, mas sem detenções ou episódios de violência como em 2012. O que demonstra, segundo o politólogo José Adelino Maltês, que os protestos são “encenações e happenings” organizados com o intuito de aparecerem nas notícias, e que ainda estão “dentro dos limites da democracia”. Portugal viveu um ano “extremamente cordato” numa “teatrocracia”, onde impera a “estética neo-realista” e que mostra que “a democracia está forte”.
Disso são exemplos as manifestações onde “não há sinais de insurreição”, as supostas “invasões de ministérios” que foram, afinal “ocupações controladas, planeadas com antecedência, numa espécie de blitzkrieg da CGTP para dizer que tem força e capacidade de mobilização”, considera Adelino Maltês. Outro caso é o do braço-de-ferro entre o Governo e a central sindical liderada por Arménio Carlos, que insistiu em fazer uma manifestação atravessando a Ponte 25 de Abril e que acabou por a desconvocar e substituir por uma concentração em Alcântara.
António Costa Pinto, investigador do Instituto de Ciências Sociais, considera que a imaginação demonstrada na variedade dos protestos advém da multiplicidade de cidadãos atingidos pelas medidas de austeridade. Além disso, “há segmentos da sociedade para quem os instrumentos tradicionais de protestos já não são eficazes”. Por exemplo: como é que um desempregado pode fazer greve? Daí o recurso a métodos alternativos como a invasão de ministérios, que serviu para dar voz, durante umas horas, às reivindicações específicas dos enfermeiros que não queriam sair da entrada do Ministério da Saúde.
Ausência de extremistas organizados
Não há mais casos como o da invasão da escadaria do Parlamento, na manifestação das forças de segurança, em que aparentemente a situação quase saiu do controlo, porque os protestos são organizados pelos sindicatos e não por grupos radicais. “Quanto maior for o enquadramento dos protestos pelo movimento sindical, menor é a violência”, defende António Costa Pinto, investigador do Instituto de Ciências Sociais. “Temos uma extrema-esquerda que não tem representação, e não há fascistas suficientemente organizados para conseguirem fazer uma manifestação”, acrescenta Adelino Maltês.
Porém, enquanto Adelino Maltês desvaloriza a importância da voz de Mário Soares, que nos dois encontros da Aula Magna avisava que vem aí violência e que a culpa é do Governo e de Cavaco Silva, Costa Pinto considera que ter um antigo chefe de Estado a falar assim, “dá alguma cobertura para acções eventualmente violentas”.
Na Primavera, além dos deputados, do primeiro-ministro e do ministro Paulo Portas no Parlamento, também diversos ministros como Miguel Relvas, Paulo Macedo ou Paula Teixeira da Cruz foram brindados com a canção Grândola, Vila Morena entoada em várias ocasiões.
A 26 de Novembro, depois da manifestação contra a aprovação do Orçamento do Estado para 2014, grupos de sindicalistas da CGTP invadiram, à tarde, os ministérios das Finanças, Saúde, Educação e Ambiente, exigindo reuniões com os ministros sobre medidas de cortes sectoriais. Só alguns foram atendidos. Os protestos nas galerias do Parlamento deram origem a 60 autos até ao início de Dezembro, como o PÚBLICO noticiou, mas apenas se conhece um processo contra um cidadão de Leiria, já que o Ministério Público não revela o que fez aos autos.
De acordo com os dados mais recentes da Direcção Nacional da PSP, de Janeiro até 4 de Novembro foram contabilizadas 1477 manifestações por todo o país, sendo mais de metade em Lisboa (843) – com o destino principal a ser a AR -, 191 no Porto e 69 em Setúbal. Este valor representa quase metade das 3012 manifestações do ano passado contabilizadas pelo Relatório Anual de Segurança Interna.

O REI VAI NU [ 2 ]

{O Rei (do corte) Vai Nu (2)


O SNS, face aos desafios decorrentes da crise, está a ser ‘empurrado’ para uma deriva assistencialista/filantrópica sob a mirífica visão da adopção de um conjunto de racionalidades avulsas e de poupanças domésticas que pretendem ocultar o âmago do processo em curso: destruição das vias de acessibilidade e de universalidade do sistema.


O colapso dos cuidados básicos, a mercantilização levada a cabo por uma subreptícia ‘rede’ de instituições privadas, a ‘terceirização’ de amplos sectores assistenciais e de cuidados pelas IPSS (leia-se p. exº as ‘Misericórdias’), as transferências de gestão público-privadas (PPP), em última análise acabam por focalizar-se sobre a rede hospitalar pública - último reduto organizativo do actual modelo assistencial – onde as falhas se tornam ‘gritantes’ e põem a nu as várias insuficiências do sistema (reais, virtuais e enviesadas).
De certo modo, a imposição de um certo modelo neoliberal, ainda envergonhadamente assumida pela actual equipa gestora do MS, passa por uma paulatina desfiguração das prestações das instituições públicas – colocando o movimento assistencial sob quotidianas e intoleráveis pressões à volta de arrastados problemas organizativos (alguns comezinhos e focais) e ainda pelo dramático ‘afunilamento’ do âmbito de acção na área pública ficando-lhe reservado tudo aquilo que o ‘mercado da saúde’ dispensa (ou neste momento não quer) fazer. A agravar este insidioso trajecto está uma outra panaceia criada para compensar (inevitáveis) distorções desse emergente ‘mercado’: a função reguladora do Estado. Uma regulação que vagueia entre as margens do inútil ao marginal.
De fora resiste (fica) incólume o compadrio, o favorecimento e muita indigência.
É este quadro de sucessivos ‘ajustamentos’ – nomeadamente orçamentais e laborais - que nos conduzirá irremediavelmente ao desastre. Isto é, à total e cabal perversão (destruição) de um serviço público que foi erguido à sombra de contratos sociais inclusivos e de concepções equitativas (o ‘modelo europeu’) e que, ao longo de mais de 3 décadas, granjeou alcançar níveis de desempenho em progressiva e constante ascensão (e neste momento ‘já’ descendentes). O lema (secreto) será – para a actual equipa ministerial - de ‘ajustamento em ajustamento’ até à implosão do sistema, segundo o anoréxico modelo do ‘british horse’.
Os profissionais de saúde – e por maioria de razão os seus representados – não podem nem devem ficar circunscritos aos problemas imediatos, corporativos, organizativos e de gestão no sentido de representar interesses (de casta) e optimizar respostas qualitativas e abrangentes (universais neste caso) com custos racionais (controlados e escrutinados). O SNS sendo um instrumento de justiça social insere-se, por outro lado, num quadro político mais vasto que raramente é discutido e que diz respeito ao seu modelo de financiamento. Os políticos do momento dizem frequentemente que temos de pensar os modelos de serviços públicos que os portugueses estão dispostos a pagar (financiar através dos impostos). A questão terá também outra vertente frequentemente submersa: que modelos não estamos dispostos a suportar e que opções (políticas) estamos em condições de tomar. E de uns e outros temos inúmeros exemplos: a começar nas PPP e a acabar na gestão dos recursos (de todos os tipos) a partir de uma clarificadora ‘base zero’. Que para além de optimizar os meios a afectar (financeiros, técnicos, humanos, etc.) revelará donde partimos para o ‘resgate’ e onde realmente estamos…
E-Pá!}

NB: Está tudo nu?
Talvez não.
O que a saúde em si, não pode é ser um direito e pagar-se tão caro.Ser negócio onde vale a pena investir em Portugal; é a perspectiva que Matthias Rath classifica de "forças do mal"
Para racionalizar os recursos e os custos vai mais uma série deles aumentar o negócio.
Despedem-se funcionários e contratam-se mercenários de "outsourcing", cujas origens são muito,mesmo muito suspeitas.
Lembram-se da dificuldade em fornecer os números exactos dos contratados, por esta via suspeita?
Pois é: eles são pagos como mercadoria, como coisas e não como pessoas.
E não se lembram quem são os promotores desta teoria outsourcing?
Vá lá; puxem um pouquito pela memória.
Se os contratos dos Médicos custaram 51 milhões mais uns trocos, é porque só estes são pessoas para quem gere o Ministério.
Os restantes, nos quais se incluem muitos Enfermeiros, fazem parte da rubrica dos consumíveis e são pagos como material de consumo corrente.
Não é por acaso que afastam Enfermeiros da Gestão e contratam administradores fabricados na escola do outro que, depois, vem chorar lágrimas de crocodilo:
Os Enfermeiros não convêm, porque até os bonsconselhos dão sem cobrar taxa; as lágrimas do crocodilo, porque este ao apertar nas suas mortíferas mandíbulas comprime mos sacos lacrimais e chora as ditas lágrimas mortais.
Mas a vida é assim como diz mestre alvim!
Boas Festas

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

LER FAZ BEM À SAÚDE

OPINIÃO
Francisco Ramos
[“Regredir agora no desenvolvimento das USF, não é certamente verdade, só pode ser boato!”. 
Foi divulgada na comunicação social a decisão de suspender o modelo remuneratório dos profissionais das Unidades de Saúde Familiar (USF) / Modelo B. A justificativa seria a existência de dúvidas sobre eventual violação das leis do Orçamento do Estado que suspendem valorizações remuneratórias. A concretizar-se esta intenção, estaria ameaçada a maior e mais efetiva reforma dos últimos 20 anos na saúde em Portugal. Estaria em crise o acesso a médico de família de cerca de meio milhão de portugueses e postos em causa os compromissos assumidos no Programa de Assistência Econômica e Financeira (PAEF), vulgo memorando da troika, onde se previa o aprofundamento da reforma dos Cuidados de Saúde Primários iniciada em 2006, através da expansão do número de USF em atividade.
As USF concretizam um modelo de dedicação plena dos profissionais, respeitam a sua autonomia técnica e afirmam a capacidade do serviço público em responder às necessidades e expectativas da população. As USF são exemplo a seguir: adesão voluntária, escrutínio pelos órgãos de administração, sistema de informação obrigatório, objetivos explícitos, medição e avaliação de resultados. As USF têm demonstrado vantagem comparativa na rapidez de acesso à consulta e evidente economia na prescrição de medicamentos e exames complementares.
O modelo remuneratório, ao incorporar uma componente de incentivos, calculada em função do desempenho, como vigilância de grávidas, controlo da diabetes e da hipertensão, vacinação de crianças, etc. foi um avanço notável na administração da saúde. A criação deste modelo organizativo contribuiu para ultrapassar problemas causados pelo histórico corporativismo, juntando, nos mesmos propósitos e objetivos, médicos, enfermeiros e trabalhadores administrativos. Regredir agora no desenvolvimento das USF, símbolo da vontade de modernizar o Serviço Nacional de Saúde, não é certamente verdade, só pode ser boato!
FRANCISCO RAMOS é ex-secretário de Estado da Saúde.
 
Fonte: Jornal Público]
 
NB: Como substituto não fica mal a Francisco Ramos seguir a voz do mestre dois tons mais abaixo dada a sua qualidade de baritono excelente, de acordo com a facilidade com que imprime tons graves à sua voz barítona.
Temos que lhe agradecer, não por falar tão pouco com Enfermeiros e tanto com outros menos imprescindíveis, nesta área dos cuidados básicos.
Se no campo das hipóteses conseguiu perceber que sem Enfermeiros não há acessos a Médicos de família, não obstante ver os Enfermeiros como uma espécie de escadote, que se usa para aceder ao dito Médico de Família, na sua escola deviam ir mais longe, na função Enfermeiro que é uma alternativa ao Médico Familiar e não um escadote deste.
Eu sei que não o disse expressamente; mas subentende-se facilmente se juntarmos que os cortes seriam para Enfermeiros, que dão cesso ao Médico (ou não, pois têm recursos próprios para resolver 90% dos problemas de saúde primária).
Não disse como é que nas outras USF, que não são incentivadas se manisfestam os problemas causados pelo histórico corporativismo, Sabemos que nela, nessa escola se trabalha muito na incrementação da equipa multiprofissional, com a ressalva espúria de que na equipa o mais importante é o Médico, nele subsumindo todos os outros; vejam-se os registos do trabalho de cada um em qualidade e quantidade para se explicar o que ententende por problemas de corporativismo nas USF não B.
Será que nas USF não B os propósitos dos seus membros são maléficos para a saúde?
Gostávamos de o ter visto fundamentar a maior reforma dos últimos 20 anos, mas não o fez e nós ficamos à espera.
Como também gostávamos de o ver defender o direito dos Enfermeiros, por si, a incentivos equitativos e não condicionados.
Está escrito nas nossas actas da altura, quando exigiamos essa equidade; o Dr. Pisco chefe da Missão dizia que os Enfermeiros não tinham antecedentes de RRE e por isso a lei...
Claro que nós não comemos nem as papas nem os bolos. Ontem como hoje, temos certeza absoluta de que sem os Enfermeiros e os seus méritos, não há saúde e os colegas vão interiorizando cada vez mais e mais depressa, tal evidência.
 
[O modelo remuneratório, ao incorporar uma componente de incentivos, calculada em função do desempenho, como vigilância de grávidas, controlo da diabetes e da hipertensão, vacinação de crianças, etc. foi um avanço notável na administração da saúde. A criação deste modelo organizativo contribuiu para ultrapassar problemas causados pelo histórico corporativismo, juntando, nos mesmos propósitos e objetivos, médicos, enfermeiros e trabalhadores administrativos. Regredir agora no desenvolvimento das USF, símbolo da vontade de modernizar o Serviço Nacional de Saúde, não é certamente verdade, só pode ser boato!]