NB: A despesa deste enorme anúncio, perfeitamente dispensável, por desnecessário, pois invoca algumas das desgraças dos Enfermeiros, de que a gerência se aproveita, como a de terem de trabalhar em mais de um lugar, para ganharem metade do que outros, bem menos indispensáveis, ganham, num só lugar, foi paga, com as reduções dos salários dos Enfermeiros.
A pergunta que se faz e é legítima:
Qual a necessidade de um serviço público de tamanha importância ser entregue a uma empresa que só arma sujueira e já deu mostras da maior incapacidade, para gerir a coisa? (vide ameaças de Francisco George, de efeito zero)
A outra pergunta é: qual a cunha que permite esta gente ganhar dinheiro, sem produzir e a chatear quem quer trabalhar, com qualidade e responsabilidade?
Na América dos EUA o salário hora tem um significado, que nós bem conhecemos.
Mas os Enfermeiros têm uma profissão, bem nobre e de nível universitário, percebem, ó vós que parasitais, no suor dos Enfermeiros!
Ide trabalhar em qualquer coisa útil. Já agora; levai também aqueles que vos estão a ajudar a alimentar a farsa, com incentivos tipo Pisco, para vos manter em guerra uns contra os outros. (vide USF/A-USF/B- USF/C-USF/D-USF/E). A estratégia é a mesma e tem o mesmo fim.
Colegas;
não se atemorizem, pois a sabotagem é uma forma de luta sindical, como a greve e outras (vide fabrico de listas de espera, consultas marcadas com filas de começo às 3, 4, 5, horas da manhã, à porta do CS, e etc).
Com amizade e solidariedade José Azevedo [POR ISSO O MEU GATO MIAVA.....] EIS OS ALCATRUZES DO ENCHENHO:
Saúde 24: empresa gasta 44 mil euros em anúncios de jornal para difamar trabalhadores
Janeiro 30, 2014-
Perante a posição insustentável defendida pela administração da LCS – Linha de Cuidados S.A., hoje a empresa utilizou a sua única força – o poder económico – para comprar páginas em alguns dos principais jornais do país, para repetir, sem contraditório, as fórmulas esgotadas que a sua assessoria de imprensa elaborou: difamar os trabalhadores, tentar isolá-los, negar as evidências da relação laboral e anunciar miríficos novos serviços.
Luís Pedroso Lima, administrador da Linha Saúde 24
A LCS, empresa gestora da Linha Saúde 24 e responsável pelo despedimento de mais de uma centena de trabalhadores, pela contratação massiva a falsos recibos verdes e pela redução de salários dos mesmos trabalhadores, acaba de utilizar o dinheiro que diz não ter para utilizar os serviços de consultoria de comunicação e comprar anúncios em vários jornais, entre os quais o Público, o Correio da Manhã, o Diário de Notícias e o Jornal de Notícias. Segundo as tabelas de publicidade destes jornais, Fazendo algumas contas por alto, a página do Público terá custado 8200€, a do Diário de Notícias 7630€, a do Jornal de Notícias 14.620€ e a do Correio da Manhã 13.600€. Se descontarmos o valor que a empresa paga à Consultora de Comunicação Cunha Vaz e Associados, a LCS acaba de gastar 44 mil euros para divulgar algo que vem repetindo sem substância há várias semanas. Quando não tens razão, o melhor a fazer é mesmo atirares dinheiro para cima dos problemas. Até porque este dinheiro é o dinheiro do erário público, que deveria servir para a empresa garantir a qualidade da linha, e seguramente que chegaria para pagar salários a vários trabalhadores durante vários meses… De forma legal.
O desespero da administração da Saúde 24 é claro, e a sua defesa fraca e mal preparada. Perante factos e a percepção pública da ilegalidade, despedimentos pidescos e ameaça clara à linha, a empresa lança iscos de diversão e repete à náusea as suas fórmulas estafadas. Os trabalhadores pedem a saída da administração e já reagiram a mais esta manobra diversão que custou mais milhares de euros à linha. Cada dia mais se percebe que esta administração é uma ameaça não só para a lei e para os trabalhadores, senão mesmo para a Linha de Saúde 24.
A crise na Saúde
... Julgo que existe atualmente evidência suficiente para identificar um aumento dos desajustamentos entre aquilo que a oferta de cuidados de saúde do SNS, cujos recursos têm diminuído, e as necessidades de saúde da população, que têm aumentado, para um segmento significativo dos portugueses, no decurso a crise em curso.
A questão de saber até que ponto esses desajustamentos são percebidos como "rotura"; até que ponto serão socialmente toleráveis.
Aparentemente, a tolerância é elevada por parte do sistema político - particularmente pelas forças do chamado "arco da governação" e dos seus principais comentadores. Mas os desajustamentos são cada vez mais mal tolerados pelos profissionais de saúde, e são inaceitáveis para uma parte significativa da população portuguesa que depende exclusivamente do SNS.
Demoras
A que mais me impressionou ultimamente foi a recentemente descrita pela Direção Geral da Saúde relativa às cirurgias oncológicas: o número de doentes oncológicos operados diminuiu entre 2011 e 2012, pela primeira vez, em 6 anos. O número de doentes cancerosos operados com uma demora superior à desejável subiu 17,5% no mesmo período.
Indispensável
Os dados disponíveis, sendo preocupantes, não chegam para suportar uma estratégia de ação informada. Para ser breve, dois tipos de iniciativas parecem-me indispensáveis, desde há muito.
A primeira seria um levantamento (obviamente, mais fiável do que politicamente correto) sobre os estrangulamentos do acesso aos meios de diagnóstico e terapêutica, centro de saúde a centro de saúde, hospital a hospital.
A segunda consistiria no desenho de um conjunto de estratégias de proteção da saúde, concelho a concelho, articulando saúde, ação social, autarquias, centros de emprego, Misericórdias, escolas, farmácias, ONGs, empresas e associações sindicais e outras, com a intenção de identificar e proteger as famílias mais ameaçadas no seu bem-estar. Porque esperam?
Resiliência
A insensibilidade para as consequências dos desajustamentos no SNS tem-se escudado no termo resiliência. Justificar-se-ia se o que estivesse a acontecer fosse uma resposta adaptativa das pessoas e do sistema de saúde às circunstâncias adversas em que vivemos, evitando com sucesso os efeitos nocivos da crise sobre a saúde. Não é, obviamente, o que está a acontecer. Resiliência aqui significa simplesmente "aguentar, aguentar" essas consequências deletérias, viver com elas melhor ou pior. Isso não é resiliência.
"Resiliência" é uma expressão verdadeiramente despudorada quando utilizada por aqueles que não sofrem com a crise para negar o seu impacto naqueles que dela dificilmente se podem defender.
Causas
Tendo em vista o acréscimo das necessidades registaram-se, no orçamento operacional do SNS, demasiados cortes em demasiado pouco tempo, especialmente tendo em vista o acréscimo de necessidades.
Há também o saldo substancialmente negativo entre as saídas e entradas de profissionais no SNS, pelo menos desde 2010. Assim, temos menos profissionais (e entre os que saíram-se estão muitos altamente qualificados), tentando responder a maiores necessidades de saúde, em piores condições de trabalho, com cortes nos vencimentos superiores a 20%, e com ameaças periódicas às suas aposentações.
O efeito dos cortes orçamentais e o profundo desrespeito pela situação dos profissionais do SNS, sobrepõe-se a qualquer outro fator explicativo.
Grande Teatro
Chegamos aqui por duas vias. A primeira, de longo curso, não começou há três anos vem muito de trás. Um SNS é das construções mais complexas e exigentes que um país pode ter. Não se faz com o amadorismo dos "amigos do bairro". Mas de alguma forma, as nossas lideranças têm tido dificuldade em entender as necessidades críticas para o seu desenvolvimento - um refinado pensamento estratégico e de calibradíssimos instrumentos de influência. Por outro lado, fomos transformando o SNS numa espécie de oferta benigna do Estado às pessoas. E ele não é nada disso. É antes a expressão de um contrato social entre nós, de uns com os outros. O Estado, como gestor do contrato tem de nos prestar contas - o que sistematicamente não faz - e as pessoas, suas proprietárias, têm que assumir responsabilidades.
A segunda via é mais recente. Portanto, mais óbvia.
Face a uma crise económica associada a severas medidas de austeridade, faz parte das boas práticas de saúde pública procurar antecipar, prever, o mais precocemente possível os seus efeitos sobre o bem-estar da população - o que, aliás, está expresso nos tratados europeus. Só assim é possível monitorizar imediatamente, intervir cedo, e até ter argumentos objetivos para negociar algum suavizar da austeridade excessiva. Todos os relatórios da OMS são taxativos nesta matéria!
Mas, por alguma razão, aqueles que tinham a obrigação de aconselhar o Ministro da Saúde a ir por esse caminho não o fizeram. E já sabemos que em política, os erros não se confessam, nem corrigem.
Por outro lado, os representantes da Comissões Europeia na troika, também não prestaram qualquer atenção a esta sua obrigação. A lógica subjacente a este "esquecimento" é evidente: o programa de austeridade esta condenado pelos seus arquitetos a ter "sucesso", independente do seu custo social. E a melhor forma de reclamar esse sucesso é ignorar esses custos. É o Grande Teatro.
Negação
Do Grande Teatro decorre que qualquer má notícia na saúde seja imediatamente minimizada e desvalorizada. Isso tem péssimas implicações. Quando acontecem coisas que não é possível ignorar, a reação arrisca ser tardia e as promessas de solução imediata irrealistas. Uma outra reação a este "estado de negação" - nacional e internacional - é a daqueles que justamente se indignam com tanta negação, acabando por ser levados ocasionalmente a exagerar no sentido oposto.
Remédio
Podemos tê-lo, se assim o quisermos. O ministro da Saúde, homem de conhecida probidade, afirma-se defensor do SNS. E eu acredito. Melhorar no volume e na qualidade da despesa é uma contribuição importante. Mas, depois, é preciso tratar das contradições: como é possível à tutela do SNS pensar que o setor social pode melhorar em 20-25% a gestão de hospitais do SNS em relação a aquilo que é capaz de fazer o SNS? Como é possível cortar o orçamento dos hospitais do SNS com gestão pública e aumentar os de gestão privada? Porque estes têm contrato? E os outros, coitados, não têm? Como é possível ser mais barato para um beneficiário da ADSE ir a uma urgência privada do que a uma pública?
O País tem seguramente a inteligência, a imaginação, a e muitas das competências técnicas necessárias para proteger, modernizando, o seu SNS.
Necessita de um enquadramento cívico e político para mobilizar e fazer valer essas potencialidades.
O discurso "não temos dinheiro, temos que cortar" é deprimentemente incompetente e só pode levar a um ciclo vicioso de subdesenvolvimento. O discurso, a ação cívica e política que necessitamos, situa-se nos seus antípodas. Para isso temos que sair do Grande Teatro, partilhar factos, aceites por todos como tais, encarar o futuro com o atrevimento e a confiança daqueles que sabem onde querem chegar.link
NB: Colegas, Esta folha modelo de horário tem várias incorrecções para ser apliacada a Enfermeiros, que têm uma carreira especial com horário especial e esta ficha modelo não se lhes aplica, porque não está de acordo com a lei. Com toda a aprência de democrática, serve para amarrar o requerente a fazer um requerimento que não tem nada que fazer, pois o modelo de horário dos Enfermeiros está no art.º 56º da DL 437/91, que não se ajusta a isto. Se preencherem depois não podem contestar os abusos. Atenção e cuidado!
O TAFP continua a pedir ao reú (ULSAM) para remeter com urgência a esse Tribunal a "deliberação social unânime, por escrito, de 18 de Julho de 2005, que referencia no ponto 3 do requerimento apresentado em 4/11/2013 (pela dita ULSAM).
Ora se esta ULSAM não tem provas em como destituiu um Enfermeiro e nomeou outra, para apresentar ao Tribunal, quer dizer quem nem a actual é directora nem o não actual deixou de ser o Enfermeiro Director.
Claro está que este não é o único caso de doença aguda do "complexo de rei na barriga".
Na nossa actividade sindical temos descoberto vários, uns mais graves e incuráveis, outros assim-assim, como diz o Alvim.
É uma pena que os responsáveis deixem chegar a República a este estado de coisas e nos dêem tão maus exemplos de idoneidade geral.
Imagine-se que alguém pede responsabilidades destes actos públicos?
Como é que vão justificar a saída de um e a não entrada de outra, que, não obstante tem desempenhado a função?
Qual a legitimidade e como se mede?
Meditem nestes exemplos exagerados, caros Colegas!
Com amizade e atenção,
José Azevedo
Remédios: albiglutide pertence à mesma classe de drogas injetáveis GLP-1, como o Victoza, da Novo Nordisk, e o Byetta e Bydureon, da Bristol-Myers Squibb e AstraZeneca
Londres - A GlaxoSmithKline disse nesta sexta-feira que reguladores europeus tinham dado sinal verde para o seu medicamento para diabetes administrado uma vez por semana, o albiglutide, que está sendo promovido com o nome Eperzan.
O albiglutide pertence à mesma classe de drogas injetáveis GLP-1, como o Victoza, da Novo Nordisk, e o Byetta e Bydureon, da Bristol-Myers Squibb e AstraZeneca.
A recomendação positiva de uma droga pela Agência Europeia de Medicamentos é geralmente seguida por uma autorização de comercialização pela Comissão Europeia. A GSK disse que a decisão final foi antecipada para o final deste trimestre.
No ano passado, reguladores dos Estados Unidos adiaram uma decisão de aprovação da droga para 15 de abril.
Viu o novo site EXAME.com para iPhone e Android? Basta digitar EXAME.com num smartphone!
MS cria equipa para supervisionar medicamentos, cosméticos e
dispositivos médicos no âmbito da Medicina Dentária
Tempo
Medicina
Quinta-Feira,
23 de Janeiro de 2014
O Ministério da Saúde (MS) decidiu criar uma Comissão Nacional de Medicamentos
e Produtos de Saúde (CNMPS) que irá apoior o Conselho Directivo e os serviços
relevantes do Infarmed nas decisões a proferir em matérias relacionadas com
medicamentos, cosméticos e dispositivos médicos no âmbito da Medicina Dentária.
No despacho, publicado hoje no Diário da República, que
formaliza a comissão, é justificado que «a obtenção do conhecimento dos
profissionais de saúde quanto a estas matérias, pela sua perícia clínica é
fundamental para a adequada supervisão de mercado por parte do Infarmed,
nomeadamente através da identificação de produtos não conformes e da
notificação de efeitos adversos decorrentes da utilização destes produtos».
António Faria, perito do Infarmed, presidirá à comissão, que tem um mandato de
dois anos. Maria João Portela (Direcção de Comprovação da Qualidade do
Infarmed), Leandro Ponte (Direcção de Inspecção e Licenciamento do
Infarmed), Judite Neves (Direcção de Produtos de Saúde do Infarmed), Dina Lopes
(Direcção de Avaliação de Medicamentos do Infarmed), Ilda Oliveira (Equipa da
Publicidade do Infarmed), Filipa Carvalho Marques (Departamento Jurídico da
Ordem dos Médicos Dentistas -- OMD), Tiago Frazão (OMD), Paulo de Melo (OMD) e
Patrícia Manarte Monteiro (OMD) são os restantes membros.
Cigarros electrónicos vendem glamour mas têm riscos
27/01/2014 - 09:51
Têm sabor a maçã, menta, coca-cola,
mojito, caramelo. Com tamanha gama de sabores podia estar-se a falar de uma
loja de gelados, mas o mostruário de caixas de 40 e tal cores atrás do balcão
parece de cápsulas para máquinas de café. Só que olhando para o lado direito há
uma elegante mesa alta que lembra aqueles sítios onde se podem experimentar
jóias. São ainda objectos estranhos na paisagem comercial portuguesa as lojas
de venda de cigarros electrónicos mas quem lá trabalha diz que começam a ter
cada vez mais adeptos daquilo que os fabricantes designam por “o novo paradigma
de fumar”. Os médicos alertam para os muitos perigos dos cigarros que querem
passar uma imagem de glamour, de não fazerem mal à saúde e até de ajudarem a
deixar de fumar, avança o jornal Público.
Paula Ferreira, 36 anos, actualmente sem emprego, entrou na Vapor d’água, uma
das três lojas que surgiram nos últimos meses numa das grandes artérias
comerciais de Lisboa, a Avenida de Roma. O Ministério da Economia não sabe
quantas existirão no país, na capital há pelo menos cinco. Paula vem
experimentar um cigarro electrónico mas parece contrariada. O jovem empregado
sorridente convida-a a entrar e experimentar, na tal mesa branca elegante, onde
estão boquilhas de cigarro descartáveis. Pergunta-lhe se gosta, por exemplo, do
sabor a baunilha. Paula franze os olhos com um ar quase de nojo e diz que não,
“eu gosto mesmo é do sabor a tabaco”. Na Loja Vapor d’Água também vendem sabor
a tabaco, têm quatro tipos.
Há 20 anos que Paula fuma, “gosto de fumar, já são muitos anos”, não pensa em
deixar, mas confessa: “Há um mês descobri que tinha bronquite, assustei-me um
bocadinho”. Faz uma semana que comprou um cigarro electrónico mas diz que se
está a dar mal, vem à loja porque quer insistir, talvez o problema seja do
sabor que experimentou. Está convencida de que o cigarro electrónico lhe fará
menos mal.
É esse um dos argumentos dos fabricantes e vendedores. “É uma alternativa
segura aos cigarros tradicionais”, afirma João Rebelo, director comercial da
Why Not, a loja de cigarros electrónicos que fica mesmo à frente da Vapor
d’Água e que neste primeiro mês de funcionamento angariou, segundo diz, 240
clientes. Têm menos sabores, cerca de 20, divididos entre os frutados (como a
lichia), frescos (como a clorofila), gourmet (como a tarte de maçã) e os
atabacados, com o Lucky Strike e o Marlboro, “os dois sabores que mais vendem”.
Têm e-cigarros com pérolas incrustadas, com flores japonesas. “A nossa é a
única loja que trabalha com design adequado ao estilo de vida, ao estilo de
vestir de cada um”.
Mas o que é afinal um cigarro electrónico? É um dispositivo electrónico que
junta uma cápsula onde é colocado um líquido, contendo nicotina, que, ao ser
consumido, produz um vapor que imita o fumo. Tem uma bateria e um carregador
que se liga à corrente, tal como um telemóvel. Existem para vários preços mas
há kits que começam nos cerca de 30 euros e podem ir até aos 80. E depois há os
líquidos que têm que se continuar a comprar e uma panóplia de acessórios, desde
a bolsinha ao objecto onde pode ficar pousado, explica o Público.
O que pensa Inês Sousa, a cliente que entrou a seguir a Paula, é que fumar o
cigarro electrónico é melhor para a saúde do que o cigarro tradicional. Os
fabricantes reforçam que o tabaco tem mais de quatro mil substâncias e que os
cigarros electrónicos pouco mais incluem do que nicotina. De fora ficam as mais
perigosas e cancerígenas, como o alcatrão e o monóxido de carbono, repete-se
nos vários sites portugueses que comercializam o produto.
“Eventualmente podem ter menos riscos para a saúde, mas não libertam da
dependência”, alerta o coordenador regional do programa de prevenção e controlo
do tabagismo da região Norte, Sérgio Vinagre. O médico sublinha que nunca
poderá ser visto como um instrumento para deixar de fumar, como se tenta fazer
passar. “Os fins médicos devem ser devidamente fundamentados, com dados
clínicos e científicos, e esses dados têm que ser submetidos às autoridades
competentes para avaliação”, diz, citando uma circular da Autoridade Nacional
do Medicamento - Infarmed sobre o produto.
Sérgio Vinagre lembra que não está sujeito a qualquer controlo de qualidade, de
avisos para a saúde, não paga impostos, “e pode ser uma forma de iniciação no
vício de fumar, nomeadamente para os jovens”. O responsável critica o facto de
estes cigarros serem vendidos “como se fossem um produto de luxo, de glamour e
que parece que até faz bem”.
Alberto Ferreira, director-geral da Smuki, que diz ser a primeira marca de cigarros
electrónicos registada em Portugal, em 2009, informa que teve o seu boom de
vendas online em 2011, quando Angelina Jolie e Johnny Depp apareceram no filme
Turista a fumá-los. Foram 4900 mil kits, no ano seguinte 2100, no ano passado
foram 2400. Sublinha que os e-cigarros não servem para deixar de fumar, mas o
facto é que as taxas de sucesso dos métodos disponíveis para abandonar o vício
são muito baixas. “Estes cigarros servem para quem não consegue deixar de
fumar”, explica.
Inês Sousa, que tem 27 anos e é funcionária de um call center, diz que sente
estar a fumar menos cigarros tradicionais - passou a três - e deixou de ter a
roupa a cheirar a tabaco. O problema, conta, é que com o cigarro electrónico
senta-se no sofá e vai fumando: “Não sei quanto fumo. Quando dou conta acabou o
líquido”.
A coordenadora da comissão de tabagismo da Sociedade Portuguesa de Pneumologia,
Ana Figueiredo, recorda que a introdução dos cigarros light e slim, anunciados
como tendo menos nicotina, também pretendia diminuir o consumo, mas muitas
vezes as pessoas acabam por fumar mais ainda. A pneumologista faz consultas de
cessação tabágica e diz que não conhece ninguém que tenha deixado de fumar com
e-cigarros ou sequer que tenha abandonado os cigarros tradicionais. Lembra que
o tabaco é a principal causa de morte evitável no mundo, não só devido ao
cancro mas também a doenças respiratórias e cardiovasculares.
Há uns anos, recorda, surgiram no mercado uns inaladores de nicotina que eram
parecidos com os e-cigarros e que, tal como métodos como os pensos ou as
pastilhas, se destinam apenas a evitar a síndrome de privação da nicotina. Mas
percebeu-se que com o seu uso era muito difícil às pessoas cessarem o hábito,
uma vez que se perpetuava “a dependência física de levar o cigarro à boca,
prolongava o gesto” e os médicos abandonaram-no como método de cessação
tabágica. Na opinião da médica, a venda de e-cigarros “é um retrocesso imenso
na luta contra o hábito”, cujo grande objectivo “é a cessação tabágica, não é a
sua substituição”.
“Há um vazio legal”
Os responsáveis das três lojas de cigarros electrónicos contactadas pelo
Público em Lisboa dizem não vender o produto a menores. Mas actualmente nada o
impede. “Há um vazio legal”, admite o director-geral da Smuki, que diz ser a
primeira marca de cigarros electrónicos registada em Portugal, em 2009. Uma das
vantagens apresentada por quem comercializa este produto é precisamente “a
liberdade”: não está abrangido pelas restrições legais de fumar em espaços públicos.
O mesmo é verdade para a venda a menores. Todas as limitações ao tabaco na lei
portuguesa não se aplicam ao cigarro electrónico, confirma a directora do
Programa Nacional para a Prevenção e Controlo do Tabagismo, Emília Nunes. Para
ser abrangido pela legislação este tipo de cigarro teria que conter tabaco, ou
seja, teria que incluir folha de tabaco. O tabaco tem mais de quatro mil
substâncias, explica a mesma responsável, e os cigarros electrónicos contêm
apenas uma delas, a nicotina (assim como aromas). Sendo de 2008, a lei
portuguesa é anterior ao seu surgimento, uma vez que os e-cigarros só estão à
venda em Portugal há tem cerca de dois anos. O vazio legal também existe nos
outros Estados-membros da União Europeia, refere Emília Nunes.
Para criar um quadro legal que se aplique a todos os países da União, a
Comissão Europeia aprovou uma directiva no mês passado. Mas só quando o
processo legislativo terminar poderá ser transposta para Portugal, o que deverá
acontecer este ano, explica ainda a directora do Programa Nacional para a
Prevenção e Controlo do Tabagismo. Quando isso acontecer, os e-cigarros, como
também são conhecidos, passarão a ter que obedecer a várias regras,
nomeadamente a obrigatoriedade de explicitarem os seus ingredientes, assim como
terem que incluir avisos sobre os seus malefícios para a saúde, tal como
acontece com os maços de tabaco. Passará também a haver regras em relação à
publicidade.
Alberto Ferreira afirma que com os cigarros electrónicos não há o problema do
fumo passivo, uma vez se trata apenas vapor de água. A pneumologista Ana
Figueiredo diz que isso não é verdade e que com o vapor é libertada nicotina,
assim como outras substâncias que se desconhecem. Acrescenta que alguns estudos
preliminares feitos nos Estados Unidos deram conta da presença das mais
variadas substâncias tóxicas. “Pouco se sabe sobre o que vem dentro dos
cartuchos”, avisa.
Sistema informático está a pagar a médicos e enfermeiros
horas de 2013 com os cortes já deste ano
27/01/2014 - 09:43
Muitos profissionais de saúde foram surpreendidos em Janeiro ao perceberem, no
recibo de vencimento, que as horas extraordinárias que trabalharam no final de
2013 e que agora foram pagas já sofreram os cortes que entraram em vigor com o
novo Orçamento do Estado. No Hospital Garcia de Orta, em Almada, houve mesmo
uma circular nesse sentido, mas ao jornal Público a instituição explicou que
tal instrução deriva do próprio sistema informático que processa os salários. A
tutela diz que espera um parecer para saber se vai ou não devolver as verbas.
Os casos de médicos e de enfermeiros que viram estas horas ser taxadas de 2,5 a
12% em vez de 3,5 a 10% chegaram aos sindicatos do sector. Mas há um caso mais
concreto, de uma circular do Hospital Garcia de Orta, citada pelo Diário de
Notícias, que diz que “todos os montantes pagos no decurso de 2014
(independentemente da data a que reportam) estão sujeitos à aplicação da taxa
progressiva redução — compreendida entre 2,5% e 12% — a aplicar aos valores de
remuneração — entre os 675 euros e os 2000”.
Questionado pelo Público, o hospital justificou que “a aplicação que processa
os salários é parametrizada pelos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde
(SPMS)” sob orientações da Administração Central do Sistema de Saúde. “O Hospital
Garcia de Orta é apenas utilizador da mesma, pelo que os salários são gerados
com base no definido pelo Ministério da Saúde (MS)”, explica, acrescentando que
a circular deriva da lei geral do Orçamento do Estado para este ano.
Porém, o Hospital Garcia de Orta assegurou que “a ser corrigida a situação, por
orientações do MS, a reposição dos valores ocorrerá na data que o MS indicar, e
logo que a aplicação de processamento de salários esteja parametrizada para o
efeito, uma vez que tal é da competência dos SPMS”.
O Sindicato Independente dos Médicos refere, num comunicado, que “o trabalho
extraordinário prestado pelos médicos do SNS, em hospitais e centros de saúde,
é habitualmente pago apenas passados dois meses. Isto é, o trabalho efectuado
em Novembro de 2013 apenas é pago em Janeiro de 2014, e assim sucessivamente”,
tendo chegado a esta estrutura muitos casos de várias instituições em que “nos
recibos de vencimento deste mês esse trabalho é taxado pelas tabelas de IRS de
2014 e pela taxa da Contribuição Extraordinária de Solidariedade de 2014,
significativamente superiores às aplicadas em 2013”. O sindicato já alertou o
Ministério da Saúde.
A Federação Sindical da Administração Pública (FESAP) denunciou,
posteriormente, que o problema não foi só no sector da saúde e que foi
transversal a todos os serviços do Estado. José Abraão, dirigente da FESAP, em
declarações à Lusa, confirmou que os cortes introduzidos em 2014 a suplementos
remuneratórios resultantes do trabalho prestado pelos funcionários públicos até
Dezembro do ano passado foram aplicados no processamento dos salários de
Janeiro, mas de uma forma "transversal nos mais diversos serviços",
não apenas na saúde, pedindo por isso explicações à tutela. "É necessário
um esclarecimento urgente. Vamos pedi-lo ainda hoje às Finanças", disse o
sindicalista.
O Público contactou a tutela, que remeteu esclarecimentos para a Administração
Central do Sistema de Saúde (ACSS). Esta, em resposta ao PÚBLICO, diz que a
questão dos cortes de 2014 aplicados a vencimentos do ano passado é
“transversal a toda a Administração Pública”.
“O pagamento do trabalho extraordinário realizado em 2013, por força do regime
normal de processamento de vencimentos, decorre nos meses subsequentes e de
acordo com as regras em vigor nesse momento. A ACSS, tendo em atenção situação
similar ocorrida no início de 2011, solicitou a clarificação da questão junto
dos serviços competentes do Ministério das Finanças relativamente à
possibilidade de aplicar ao processamento do trabalho extraordinário relativo a
2013 as regras aplicáveis nesse ano”, acrescentou a ACSS, dizendo que aguarda
agora o parecer e orientações para agir em conformidade.
A situação não é, tal como refere a ACSS, inédita. Em 2011, ainda no Governo de
José Sócrates, aconteceu o mesmo. Na sequência de uma indicação directa da
Direcção-Geral do Orçamento, as reduções foram aplicadas de acordo com as
tabelas do mês de pagamento, independentemente da altura em que o trabalho foi
prestado. Em Janeiro desse ano os protestos foram grandes, com os profissionais
de saúde a prometerem levar o assunto a tribunal. Dois meses depois, o então
primeiro-ministro recuou e decidiu devolver a diferença, que segundo os
sindicatos chegou nalguns casos aos 300 euros.
Doentes raramente são compensados pelos danos e médicos
ficam envolvidos em processos que se arrastam durante anos, critica
investigador.
Para o investigador, o sistema legal
português é “ritualista e demasiado demorado”, tornando muito difícil fazer
prova da culpa dos médicos PÚBLICO Docente da Faculdade de Direito de Coimbra, André Dias
Pereira considera que a situação actual não é boa para os doentes, que
raramente são compensados pelos danos que sofreram, nem para os médicos,
frequentemente envolvidos em processos que duram anos. Na sua tese de
doutoramento, defende que o sistema da responsabilidade civil médica está em
verdadeira convulsão e que o mais grave é a extrema indefinição e insegurança
em que os envolvidos se movimentam.
Nos
últimos anos não houve uma evolução, com a multiplicação dos casos divulgados
pela comunicação social?
A situação foi mudando mas no sentido em que há mais casos e mais pacientes a
queixarem-se e há também algumas condenações. A maior parte dos tribunais
entende, porém, que nos hospitais públicos se aplica a responsabilidade civil
extracontratual, em que é o doente que tem que provar tudo, o que é muito
difícil, apesar de já começar a haver tribunais a entdender de maneira
diferente. Mesmo nos tribunais superiores há juízes mais progressistas
que admitem uma prova por presunções, enquanto outros são mais conservadores.
Os médicos e os doentes precisam de um regime mais claro, mais transparente.
Defende
também que as indemnizações deviam ser mais justas.
O valor das indemnizações em Portugal é muito inseguro: às vezes é alto, outras
vezes baixo, não há tabela. Há variações muito grandes que não se percebem. Há
falta de consolidação e de estudo desta matéria. Devia criar-se uma base de
dados, como existe em França, com recolha de todas as indemnizações por danos
morais, de forma a conseguir maior equidade. Em França, um juiz quando vai
decidir consulta essa base de dados. Cá, o que os juízes fazem é ler outros
acórdãos, mas têm grande liberdade para decidir. A base de dados podia ficar
centralizada no Centro de Estudos Judiciários.
Nos últimos tempos tem
havido sentenças e acordos que resultam em indemnizações elevadas...
Sim, mas na maior parte dos casos os montantes são baixos, embora às vezes
exista a ilusão de que na Europa há indemnizações muito altas por danos morais
- o que não é verdade. Mesmo na Alemanha uma indemnização por dano moral
dificilmente vai acima dos 200 mil euros. Milhões, só mesmo nos Estados Unidos.
Mas nos danos patrimoniais há indemnizações muito elevadas, até porque existe o
direito ao auxílio por uma terceira pessoa, que implica ter uma empregada que
preste cuidados domiciliários ao doente até ao fim da sua vida. Defende que a
legislação sobre a responsabilidade médica deve ser alterada, portanto?
Sim. Devia haver uma lei dos direitos dos pacientes que regulasse tudo, que
condensasse e revisse vários aspectos, incluindo matérias sobre o consentimento
informado, directivas antecipadas de vontade, acesso ao processo clínico. Em
Portugal existe legislação sobre tudo isto, mas está espalhada. No domínio da
reparação do dano injusto também devia haver uma harmonização. Na sua tese destaca o
sistema que vigora em França desde 2002. Porquê?
Em França criaram-se sistemas de conciliação que integram juízes e peritos
médicos, como aconteceu por exemplo no caso dos seis doentes que cegaram no
Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Em Portugal podia avançar-se para uma
especialização dentro dos tribunais, com varas para estes casos, ou para a
institucionalização de comissões de arbitragem com magistrados e peritos
médicos. Desta forma, a busca da verdade material seria muito mais rápida, o
que é importante não só para proteger o doente, para que não fique oito anos à
espera, mas também para o médico. Normalmente o médico é absolvido, mas anda
cinco a dez anos em sofrimento. Diz que o direito está
muito centrado na culpa do médico. Os médicos não devem ser sancionados quando
são culpados?
Devem ser sancionados, mas grande parte dos danos causados nos hospitais são
erros de complexidade do sistema hospitalar. Há muitos turnos, muita gente a
mexer nos medicamentos, nos instrumentos, a informação perde-se, é
deturpada. Há sucessões de pequenas falhas que podem levar a acontecimentos
catastróficos. E, como estamos sempre em busca de um culpado, as pessoas não
colaboram quando algo corre mal. Como se resolve isso?
Com fundos colectivos de compensação de danos médicos ?
Isso é o que acontece em França. Se o médico tiver culpa, a seguradora paga. No
caso de grandes incapacidades, como cegueira, paralisia, perda de uma perna, a
sociedade francesa entendeu que essas pessoas mereciam uma compensação extra,
fora do sistema da responsabilidade civil. Este tipo de resposta está a
expandir-se, passou para a Bélgica, e há um sistema parecido na Polónia. Sempre
que há grandes acidentes nos hospitais, independentemente da culpa dos
profissionais, entende-se que as pessoas não podem ser deixadas à sua sorte.
Esse fundo vai buscar dinheiro às apólices de seguro e ao orçamento de Estado. Isso não fica muito
caro?
Está a sair um pouco mais caro porque os grandes incapazes ficam muito caros.
Mas a maioria dos queixosos franceses está a obter uma decisão em quatro a seis
meses. Sendo que a maior parte (70 a 80%) não tem razão nenhuma.
Conclui-se que o médico fez o que podia. Mas este sistema representa um grande
ganho, o doente vai à sua vida, faz o seu luto e o médico fica em paz. Os
médicos portugueses estão com uma sensação de judicialização e de risco acima
da realidade, porque na prática não há assim tantas condenações. A situação actual não
é justa, portanto?
Não é boa para os doentes porque raramente são compensados pelos seus danos,
nem é boa para os médicos porque ficam muitas vezes envolvidos em processos que
duram anos. Começam a ter receio e optam por uma medicina defensiva. Na sua tese refere-se
ainda a vários direitos, designadamente ao direito a ser informado, e dá o
exemplo de um caso de uma oftalmologista que foi absolvida no Supremo Tribunal
de Justiça, apesar de se ter provado que não informou um doente que cegou dos
riscos da cirurgia para corrigir a miopia.
Este direito está consagrado, inclusive no Código Penal. O caso da oftalmologista
que não foi condenada explica-se porque o advogado fez aquilo que normalmente
os advogados fazem: vão à procura da culpa do médico. Resultado? Não conseguiu
provar que houve problemas na cirurgia. E só em sede de recurso para Supremo
Tribunal de Justiça alegou que a doente não foi devidamente informada sobre os
riscos.
Queixas de negligência médica quintuplicaram desde 2001
Instituto de Medicina Legal recebe cada vez mais pedidos de
pareceres técnicos em casos de alegadas más práticas profissionais. Falta de
jurisprudência leva tribunais a tomar decisões díspares.
O pico de processos avaliados por peritos
do Conselho Médico-Legal registou-se em 2008 Enric
Vives-Rubio
Uma pinça com 18 centímetros esquecida no interior do abdómen
de uma doente durante uma cirurgia, uma criança a quem os médicos não
diagnosticaram uma apendicite e que acabou por morrer, um homem com suspeita de
enfarte agudo que foi transferido de um hospital central para um distrital e
também não sobreviveu. São três histórias entre as centenas que têm chegado aos
tribunais portugueses nos últimos anos.
Em apenas
13 anos, o número de queixas por alegada negligência grave contra médicos e
outros profissionais de saúde mais do que quintuplicou. O Conselho Médico-Legal
do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses (INMLCF), órgão ao
qual os magistrados recorrem em situações complexas e graves para pedir
pareceres técnicos, passou de apenas 33 processos analisados em 2001 para 184
no ano passado.
O pico de processos avaliados por
estes peritos registou-se em 2008. Mas, depois de uma quebra do número de casos
nos anos seguintes (ver gráfico), estes voltaram a aumentar em 2012 e 2013,
adianta o médico Gonçalo Castanheira, que dedicou a sua tese de mestrado à
responsabilidade profissional dos prestadores de cuidados de saúde.
Estes números podem, mesmo assim, ser apenas a “ponta do iceberg”, a “parte
visível de uma responsabilidade desconhecida”, avisa o especialista, porque “há
cada vez mais actos médicos”. O Conselho Médico-Legal é normalmente chamado a
dar parecer, a avaliar se houve ou não violação da leges artis (das regras da profissão
médica) em casos mais graves que normalmente resultam em morte ou em
incapacidade permanente. A esmagadora maioria destes casos são histórias de
alegada má prática de médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde. Demora nos tribunais
O número de processos que chega ao Conselho Médico-Legal apenas dá uma ideia
aproximada da dimensão do fenómeno, porque em Portugal é impossível
contabilizar com rigor todas as queixas enviadas para os tribunais, para as
ordens profissionais e para organismos como a Inspecção-Geral das Actividades
em Saúde. Grande parte acaba arquivada e as condenações são a excepção.
“O sistema não beneficia nem o doente nem o médico. O doente tem que provar que
houve culpa com dolo, o que quase nunca acontece. Deveria ser ressarcido sem
ter que provar a culpa”, defende Gonçalo Castanheira. Também André Dias Pereira – que este mês se doutorou com uma tese
sobre responsabilidade médica na Faculdade de Direito da Universidade de
Coimbra – reclama um "novo paradigma".
Um dos problemas do sistema que vigora em Portugal prende-se com o tempo que os
processos demoram a ser apreciados nos tribunais. A família da menina a quem
não foi diagnosticada uma apendicite no Hospital Pediátrico de Coimbra só
conheceu a sentença da primeira instância em Novembro do ano passado, mais de
nove anos após a sua morte. Passado todo este tempo, os dois médicos acusados
foram absolvidos, devendo o caso arrastar-se agora pelos tribunais superiores.
A justiça portuguesa demora cerca de oito anos, em média, até chegar a uma
sentença neste tipo de queixas, concluiu a farmacêutica Lígia Ernesto, depois
de analisar 210 casos relativos a erros, negligência médica e outros eventos
adversos noticiados nos meios de comunicação social entre 1974 e Junho de 2011.
Em quatro casos, vítimas e acusados tiveram de aguardar mais de 12 anos pela
decisão judicial.
Também o valor das indemnizações varia substancialmente. No caso do
esquecimento da pinça no abdómen da doente, um cirurgião e duas enfermeiras
foram condenados a pagar 14 400 e de 10 600 euros, respectivamente. Já a
cardiologista do homem que morreu na sequência de um enfarte agudo de miocárdio
não diagnosticado foi multada em 8 400 euros.
Mas há sentenças que impõem indemnizações elevadas. E acordos extrajudiciais,
como o que levou o Estado a pagar um total de 597 mil euros aos seis doentes
que cegaram no Hospital de Santa Maria, na sequência de uma troca de
medicamentos na farmácia da unidade de saúde. O doente que ficou sem ver dos
dois olhos recebeu 246 mil euros, valor que foi definido por uma comissão
arbitral.
“Na medicina legal há tabelas, mas nesta matéria ainda não existe
jurisprudência. A responsabilidade profissional em saúde é recente”, observa
Gonçalo Castanheira, que analisou em detalhe 66 processos de unidades de saúde
do concelho de Coimbra entre 2001 e 2010. Em quase um quinto dos casos (18,18%)
os pareceres do conselho médico-legal concluíam que a actuação dos
profissionais de saúde não tinha sido a mais adequada.
Corrigir os erros sem punir os profissionais
27/01/2014 - 09:23
Era para ser um sistema de prevenção de erros médicos, pondo profissionais de
saúde e cidadãos a comunicar situações passíveis de correcção, sem intenção de
punir os implicados. Mas, para já, não é fácil perceber se está a servir o fim
para o qual foi criado. No primeiro ano de funcionamento, a plataforma online
de comunicação de "incidentes e eventos adversos" (vulgarmente
designados como erros médicos) da Direcção-Geral da Saúde (DGS) recebeu 318
notificações, a maior parte das quais (244) enviadas por profissionais de
saúde. Apenas 74 destas notificações foram feitas por utentes, o que prova que
este sistema anónimo e confidencial é pouco conhecido, avança o jornal
Público.
O sistema foi criado depois de a DGS ter concluído, na sequência de um
diagnóstico da situação levado a cabo em 70 hospitais em 2009, que apenas duas
dezenas destas unidades de saúde tinham programas de gestão de risco clínico e
de segurança do doente.
O erro médico é um fenómeno frequente e inevitável, sendo diferente da
negligência, situação em que há uma violação das regras da profissão e
deficiente prestação de cuidados. Este fenómeno está estudado e é devidamente
monitorizado em vários países, apesar de em Portugal existirem apenas
estimativas.
O médico José Fragata, no livro Erro em Medicina, há alguns anos, calculava que
o número de doentes internados nos hospitais portugueses que morre devido a
erros clínicos deverá rondar os três mil por ano, extrapolando a partir das
estatísticas internacionais. Mais de metade destes erros poderiam ter sido
evitados, frisava.
Brasil: suspenso o comércio e uso de lote do antibiótico
claritromicina
27/01/2014 - 09:20
Uma resolução da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária do Brasil),
publicada na passada sexta-feira (24) no Diário Oficial, determinou a suspensão
da distribuição, do comércio e do uso, em todo o território brasileiro, do lote
438569 do antibiótico Claritromicina 250 mg/5 ml grânulos para suspensão oral,
fabricado pela empresa EMS S/A, avança o Diário Digital.
De acordo com o texto, o laudo da Fundação Ezequiel Dias apresentou resultado
insatisfatório em análise de teor de princípio activo no medicamento.
A Anvisa determinou ainda que a empresa promova a recolha dos stocks existentes
no mercado relativamente ao lote em questão.
Surto de "doença mãos, pés e boca" leva 15 a 20
crianças por dia ao hospital da Terceira
27/01/2014 - 09:17
Um surto do vírus coxsackie, comummente apelidado de "doença mãos, pés e
boca", está a levar 15 a 20 crianças por dia às urgências do hospital da
ilha Terceira, disse na passada à agência Lusa o responsável pelo serviço de
pediatria, avança o SAPO Saúde.
A situação, segundo o director do serviço de pediatria do hospital, Francisco
Gomes, começou "há uma semana".
O especialista, que refere não existir, até à data, qualquer internamento
relacionado com este surto, alerta para o facto de se tratar de "uma
doença benigna".
"Apesar de altamente contagiosa, é uma doença que tem uma evolução
positiva, basta acompanhar os sintomas", disse.
O médico explicou tratar-se uma doença "pouco comum", que geralmente
regista "um a dois casos por ano" na Terceira, mas que presentemente
tem tido muita expressão não só na ilha, como em território continental:
"Já falei com colegas do continente que têm situações semelhantes",
afirmou.
A nível dos Açores, o surto regista-se, aparentemente, somente na ilha
Terceira, uma vez que, contactados pela Lusa, o Hospital do Divino Espírito
Santo de Ponta Delgada (HDESPD) e o Hospital da Horta (HH) confirmam não ter
qualquer ocorrência da doença.
Em Novembro, este vírus levou dezenas de crianças à unidade hospitalar da ilha
de São Miguel, tendo decrescido as ocorrências ao longo do mês seguinte até à
sua actual inexistência.
Pertencente à família dos enterovírus, o coxsackie, altamente transmissível
através de contacto com as secreções do nariz, garganta e boca, afecta
sobretudo a população infantil, crianças entre os 3 e os 10 anos.
Além de febre, os principais sintomas são lesões cutâneas, borbulhas, que, como
indica o seu nome, surgem ao redor da boca, nas mãos e pés, e que evoluem para
vesículas num período entre 3 a 6 dias.
Paragem da Saúde 24 com a adesão de 50% dos trabalhadores
27/01/2014 - 09:14
Metade dos 42 enfermeiros que estavam escalados para o atendimento da Linha
Saúde 24 aderiu à paragem convocada para domingo, terceiro dia de protesto
contra os despedimentos e cortes salariais, segundo um elemento da comissão de
trabalhadores, avança a agência Lusa, citada pelo Diário Digital.
Márcia Silva sublinhou que os níveis de adesão dos trabalhadores do turno na
manhã (08:00 às 16:00) se mantiveram, face ao dia anterior, e adiantou que se
registaram chamadas perdidas e em espera, embora actualmente apenas a
administração da empresa e os supervisores tenham acesso à informação do call
center.
Questionada sobre a intenção da empresa que gere a Linha Saúde 24 ter em
funcionamento, em Abril, um serviço específico para apoio aos idosos e um canal
específico para a gripe já a partir desta segunda-feira, Márcia Silva respondeu
que a linha "tem potencial", mas "não vai ter capacidade de
resposta" porque "está a substituir elementos válidos".
"Penso que nunca conseguirão manter a linha sem contratar mais
enfermeiros, mesmo não ampliando os serviços", salientou. Em declarações
anteriores à Lusa, Márcia Silva afirmou que cerca de uma centena de
trabalhadores "foi despedida porque não quis aceitar a redução de
salário".
Os responsáveis da Linha Saúde 24 já disseram que estão a contratar enfermeiros
para estes serviços personalizados e anunciaram que vão pedir uma audiência
urgente à Ordem dos Enfermeiros para expor o que dizem ser situações de falta
de ética de alguns profissionais que perturbam um serviço público.
Márcia Silva contesta: "A comissão [informal de trabalhadores] não decide
seja o que for. As decisões são discutidas com os colegas e tomadas em
conjunto".
Já no dia 04 de Janeiro os funcionários tinham parado durante 24 horas, em
protesto contra os despedimentos em curso, que consideram ser uma
"retaliação clara por parte da empresa por estes trabalhadores não terem
aceitado a redução salarial e exigirem um contrato de trabalho em vez do ilegal
falso recibo verde".
O boicote à Linha que se iniciou na sexta-feira prolongou-se até às 08:00 desta
segunda-feira.
Empresa que gere Saúde
24 vai pedir audiência urgente à Ordem dos Enfermeiros
A empresa que gere a Linha Saúde 24 vai pedir uma audiência urgente à Ordem dos
Enfermeiros para expor o que considera ser situações de falta de ética de
alguns profissionais que perturbam um serviço público.
Em declarações à Lusa, o administrador da empresa admitiu que o
"boicote" dos trabalhadores, que decorreu até às 08:00 desta
segunda-feira, causa perturbações ao atendimento da Linha, lamentando a falta
de princípios éticos de "um grupo minoritário" de profissionais.
"Preocupa-nos porque é um serviço público que está em causa. Sobretudo
quando circula uma mensagem a pedir aos enfermeiros que não compareçam ou que
demorem mais tempo a atender os utentes, isto demonstra falta de princípio
ético da parte de quem o propõe", afirmou à Lusa Luís Pedroso Lima.
Linha Saúde 24 prevê
ter já em Abril serviço específico para idosos
A empresa que gere a Linha Saúde 24 prevê ter em funcionamento, em Abril, um
serviço específico para apoio aos idosos, tendo de recrutar "um número
significativo de enfermeiros" para trabalhar nesse projecto.
"Felizmente para os utentes não há só que discutir aspectos negativos, mas
também positivos", afirmou o responsável da empresa que gere a Linha Saúde
24, Luís Pedroso Lima, referindo-se à paralisação promovida por trabalhadores
do serviço em protesto contra despedimentos e cortes salariais.
Recordando um anúncio feito no final da semana pelo Ministério da Saúde,
Pedroso Lima disse que a empresa já está a trabalhar para ter em funcionamento
a Linha Saúde 24 Sénior, dirigida especificamente a problemas dos idosos, mas
que será acessível a partir do mesmo 808 24 24 24.
Cerca de 300 pessoas concentraram-se este sábado à entrada do hospital de
Portimão, em protesto contra a austeridade e os cortes financeiros, exigindo
"um melhor" Serviço Nacional de Saúde (SNS), avança a agência Lusa,
citada pelo Diário Digital.
Convocada pela Comissão de Utentes do Serviço Nacional de Saúde, a manifestação
teve início cerca das 15:30, e juntou autarcas, utentes e profissionais de
saúde das unidades hospitalares do Algarve.
Entoando palavras de ordem contra o Governo e em defesa do SNS, os
manifestantes ostentavam também cartazes onde se lia: "Governo Rua",
"Melhor saúde" e "A saúde é um direito".
Em declarações à agência Lusa, Maria José Pacheco, representante do Sindicato
dos Enfermeiros Portugueses indicou que "faltam as condições mínimas para
prestar cuidados de excelência às pessoas e, neste momento, até com um mínimo
de dignidade".
De acordo com a sindicalista, "os profissionais são cada vez menos e os
doentes cada vez mais e não há condições de trabalho" nos hospitais de Lagos,
Portimão e Faro, unidades que compõem o Centro Hospitalar do Algarve.
"Como não há profissionais em número suficiente e estes fazem mais horas,
o erro é mais susceptível de acontecer", alegou Maria José Pacheco,
acrescentando que "faltam também materiais básicos como medicamentos que
as pessoas têm de ir comprar ao exterior para usarem dentro do hospital".
"Isto é inadmissível", destacou, observando que neste momento
"estão a destruir o Serviço Nacional de Saúde, que é um serviço de
excelência, porque não está em causa a competência dos profissionais, mas sim
uma vontade política de encerrar serviços e privatizar a saúde".
Por seu turno, Pedro Purificação da Comissão de Utentes da Saúde disse à Lusa
que o Centro Hospitalar do Algarve "está a fazer o contrário do que tinha
anunciado, ao acabar com serviços às populações".
"Acabaram valências como a cirurgia em Lagos, hospital que agora é apenas
um centro de saúde", alegou aquele responsável.
De acordo com Pedro Purificação, "a criação do centro hospitalar irá
afectar negativamente os cuidados de saúde em Portimão", sublinhando que a
comissão irá manter "a voz elevada em defesa dos cuidados de saúde às
populações do Algarve".
"A luta vai continuar até termos novamente o Centro Hospitalar do Barlavento
Algarvio", concluiu.
Medicamento da GSK contra diabetes está pronto para
aprovação na Europa
27/01/2014 - 08:54
A GlaxoSmithKline (GSK) disse na passada sexta-feira que os reguladores
europeus tinham dado luz verde para o seu medicamento para a diabetes
administrado uma vez por semana, o albiglutide, que está a ser promovido com o
nome comercial Eperzan®, avança a agência Reuters, citado pelo EXAME.com.
O albiglutide pertence à mesma classe de fármacos injectáveis GLP-1, como o
Victoza®, da Novo Nordisk, e o Byetta® e Bydureon®, da Bristol-Myers Squibb e
AstraZeneca.
A recomendação positiva de um medicamento pela Agência Europeia de Medicamentos
(EMA) é geralmente seguida por uma autorização de comercialização pela Comissão
Europeia. A GSK disse que a decisão final foi antecipada para o final deste trimestre.
No ano passado, reguladores dos EUA adiaram uma decisão de aprovação do
medicamento para 15 de Abril.