quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

"ERRARE HUMANUM EST"

V.Cambra 27_2_14 <clique para ver

Para reunir com os Enfermeiros em qualquer instituição basta comunicar, nos termos abaixo transcritos da lei.

Não diz que seja preciso pedir autorização para reunir com os Enfermeiros nas horas de serviço, dado que a sua jornada é contínua e qualquer hora é como a outra: tão imprevisível, como a anterior, que já passou.
O que tem é de se comunicar que precisamos de reunir, com urgência e, neste caso, como se depreende; é para demonstrar a todos os intervenientes, incluindo os Enfermeiros que, reunir com o seu Sindicato durante as horas normais de trabalho é um direito, como se demonstra com a Lei!
Serenamente, mas sem receios ou recuos temos de ir actuando pedagogicamente, junto de quem terá de saber que a democracia tem custos e que para haver países livres tem de haver Sindicatos livres e só dependentes dos seus Associados, como o SE.
Imagine-se que por mera hipótese académica, alguém se atrevia a impedir os deputados de reunir só porque causam gastos ao país!
Também estes causam estragos que são filhos da democracia e seus custos: é nesta óptica que se insere a actividade sindical e a dinâmica sindical, infelizmente bem fugaz.
No meu currículo sindical tenho duas insígnias únicas:
Nunca consumi uma hora de trabalho para actividade sindical. Exerci-a, sempre nas minhas horas, logo extra-serviço, porque podia conciliar as duas sem colisão.
A segunda é que devo ser o sindicalista mais antigo em exercício, logo tenho mais a ensinar do que a aprender.
De qualquer modo agradecemos sempre a quem tenha feito melhor, que nos ensine.
Ora vamos usar uns minutos que estão incluídos nas 15 horas anuais, a que temos (têm) direito.
E se não fosse urgente a nossa deslocação, não a comunicávamos da forma como o fizemos pelos meios de comunicação que a actualidade nos proporciona.



Artigo 331.º

Reuniões de trabalhadores

1 - Os trabalhadores podem reunir-se nos locais de trabalho, fora do horário de
trabalho observado pela generalidade dos trabalhadores, mediante convocação do
órgão competente da associação sindical, do delegado sindical ou da comissão
sindical ou intersindical, sem prejuízo do normal funcionamento, no caso de trabalho
por turnos ou de trabalho extraordinário.
2 - Os trabalhadores podem reunir-se durante o horário de trabalho observado pela
generalidade dos trabalhadores até um período máximo de quinze horas por ano, que
contam como tempo de serviço efectivo, desde que assegurem o funcionamento dos
serviços de natureza urgente e essencial.
3 - A convocação das reuniões referidas nos números anteriores é regulada nos
termos previstos no anexo ii, «Regulamento»

SECÇÃO II

Reuniões de trabalhadores

Artigo 246.º

Âmbito

A presente secção regula o n.º 3 do artigo 331.º do Regime.
Artigo 247.º
Convocação de reuniões de trabalhadores
1 - Para efeitos do n.º 2 do artigo 331.º do Regime, as reuniões podem ser
convocadas:
a) Pela comissão sindical ou pela comissão intersindical;
b) Excepcionalmente, pelas associações sindicais ou os respectivos delegados.
2 - Cabe exclusivamente às associações sindicais reconhecer a existência das
circunstâncias excepcionais que justificam a realização da reunião.
Artigo 248.º
Procedimento
1 - Os promotores das reuniões devem comunicar à entidade empregadora pública,
com a antecedência mínima de vinte e quatro horas, a data, hora, número previsível de
participantes e local em que pretendem que elas se efectuem, devendo afixar as
respectivas convocatórias.
2 - No caso das reuniões a realizar durante o horário de trabalho, os promotores
devem apresentar uma proposta que assegure o funcionamento dos serviços de
natureza urgente e essencial.
3 - Após a recepção da comunicação referida no n.º 1 e, sendo caso disso, da
proposta prevista no número anterior, a entidade empregadora pública deve pôr à
disposição dos promotores das reuniões, desde que estes o requeiram e as
condições físicas das instalações o permitam, um local apropriado à realização das mesmas, tendo em conta os elementos da comunicação e da proposta, bem como a
necessidade de respeitar o disposto na parte final dos n.os 1 e 2 do artigo 331.º do
Regime.
4 - Os membros da direcção das associações sindicais que não trabalhem no órgão
ou serviço podem participar nas reuniões mediante comunicação dos promotores à
entidade empregadora pública com a antecedência mínima de seis horas.

O CONTRATO

Há uma cópia do contrato que chegou em bom estado às nossas mãos.
Por aqui se pode inferir que assinar este contrato não há mal, porque cita o art.º19º, nº 1 do DL 248/2009 de 22 de Setembro onde se diz:"fica sujeito a um período experimental de 90 dias.
Mas é este mesmo artigo, que no nº 2 diz que a formação será bastante para suprir o nº1, logo o período experimental.
Ainda mais; o curso de Enfermagem dispensa o estágio.
Ainda mais e mais; os atingidos são enfermeiros que trabalham há muitos anos no mesmo local e função e não podem nem devem ser desviados de lá, pois já adquiriram direitos.
Para se perceber a enormidade da asneira: eles fizeram um concurso de provas públicas onde obtiveram aprovação para entrar numa carreira que já tem todos os artigos (não cláusulas de Acordo Colectivo) necessários ao exercício da função e não é preciso retirar o conteúdo funcional para o pôr no "contrato ilegal", manifesto abuso de poder, pois nada do que enclausura tem qualquer suporte legal; nem do Decreto-lei 248/2009 de 22 de Setembro, que se impõe por si; nem da negociação colectiva de trabalho neste Decreto-lei prevista, porque ainda não foi celebrado qualquer ACT.
Ora se as vítimas desta asnice fizeram um concurso de provas públicas, já foram avaliados e aprovados, pelo que é, igualmente asnática, a suposta avaliação de período experimental, que de experimental já não tem nada, repita-se, para quem trabalha na função e lugar, há 10 e mais anos.
Daqui avisamos os responsáveis por estas atitudes de asno ou asnáticas de vamos recorrer para anulá-las, pois não têm qualquer legitimidade, nem sequer para brincarem com os Enfermeiros, para lhes impingirem funções para que não estão profissionalmente obrigados como as de motorista, lixeiro e afins.
Senhores, os Enfermeiros não estão sós, como o SE também não está só, na defesa dos Enfermeiros seus associados.
Quando os nossos avisos deixarem de ser respeitados, vamos ao leque variado de opções e usaremos outros métodos, que seria bom, para a comunidade, a nossa e outras, não recorrermos a eles, ainda que num quadro legal, dado o garu de risco que comportam.
Mas não seremos nós a usá-los, voluntariamente, mas as circunstâncias a forçarem-nos a isso.
Se potenciados pela desmotivação e descontentamento dos Enfermeiros, pela forma como estão a ser desrespeitados, os resultados serão necessariamente frutuosos.








Exmo. Sr. Presidente do ACSS,
Solicitamos a informação e eventual atuação da legitimidade e ou falta dela neste contrato tipo que nos parece violar tudo aquilo que nos parece legal.
Antecipadamente gratos pela atenção que este assunto possa merecer e com os melhores cumprimentos
José Azevedo, presidente da direcção do Sindicato dos Enfermeiros -SE

AVISO 
Aos colegas a quem for presente este modelo que está a circular por aí devem acrescentar, à mão: «Assino este contrato sob condição de não legitimar as ilegalidades que eventualmente contenha e que desvirtuam a realidade, como o tempo de serviço, anteriormente prestado».

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

UM REGULAMENTO INTERNO

Há uma febre na ARSN e seus ACES, de estar/em a fazer regulamentos internos e contratos que: ou são para dizer o óbvio, que é o que está escrito na lei, sem o que esses regulamentos são nulos e de nenhum efeito, ou são para pretender enganar os Enfermeiros, que acreditam que esses regulamentos internos possam ter algum valor legal sem serem negociados connosco. Teriam de ter ACT ou CCT a suportar clásulas de Acordo Colectivo de Trabalho e não artigos de Decretos.
Finalmente, para sossegar os ameaçados, lembramos mais uma vez, que o SE está frontalmente ao ataque a ilegalidades e oportunismos, tipificados no crime "abuso de poder".
Por isso, os que se sentem ameaçados podem sossegar porque as nossas guerras somos nós que temos que as defender, com a vossa ajuda, pois sois vós os beneficiados das vitórias "a priori" e não esqueçais que o Povo diz: " a justiça tarda mas não falta"; compete-nos tentar apressá-la.
Os dois diplomas que se seguem são públicos e estão a ser usados de forma subreptícia, na ARSN e não só.

Lei n.º 59/2008 de 11 de Setembro
Artigo 5.º
Duração e organização do tempo de trabalho do pessoal das carreiras de saúde 
O regime de duração e organização do tempo de trabalho aplicável ao pessoal das
carreiras de saúde é o estabelecido nos respectivos diplomas legais.

Decreto-Lei n.º 259/98 de 18 de Agosto
Artigo 6.º
Responsabilidade da gestão dos regimes de prestação de trabalho
1 - Compete ao dirigente máximo do serviço, em função das atribuições e
competências de cada serviço ou organismo:
a) Determinar os regimes de prestação de trabalho e horários mais
adequados;
b) Aprovar o número de turnos e respectiva duração;
c) Aprovar as escalas nos horários por turnos;
d) Autorizar os horários específicos previstos no artigo 22.º
2 - As matérias constantes nas alíneas a) e b) do número (1) anterior devem ser
fixadas em regulamento interno após consulta prévia dos funcionários e
agentes, através das suas organizações representativas. (sindicato) [o sublinhado é da nossa autoria]
3 - Compete ao pessoal dirigente e de chefia autorizar os funcionários e
agentes hierarquicamente dependentes a ausentar-se do serviço durante o período de presença obrigatória.

Duas notas muito importantes:

1 - O artº 5º da lei 59/2008 retira os Enfermeiros desta Lei para efeitos de duração e organização horários de trabalho, porque têm uma das carreiras especiais da saúde.

2 - O nº 2 do art.º 6º do DL 259/98 exige a participação activa do Sindicato para validar o conteúdo das alíneas a) e b) do nº 1 deste artigo 6º.
Conclusão; se os Enfermeiros abrangidos, nossos Associados entenderem que devemos anular qualquer regulamento interno por falta de audiência ao seu Sindicato, façam-nos chegar a vossa vontade e uma cópia do respectivo regulamento e nós faremos o resto.
Escusado será dizer que as competências dos Sindicatos são tão constitucionais como as do Governo e seus dependentes.
Temos que lembrar às instituições que os nossos Associados não estão sós e sobre eles impera o nosso olhar atento, pois os abusos de confiança e de poder andam por aí dispersos.
E não adianta ficcionarem ou contratarem lobisomens vendidos por lentilhas, pois são esses que os nossos limpa-detritos gostam de comer, pois estão programados para nos libertarem do lixo que intoxica as nossas/vossas mentes.
Também fica esclarecida a descuidada expressão de "horário contínuo" em vez de "jornada contínua". Para alguns regulamentários a coisa é igual...Trata-se mais duma manifestação de ignorância, aparentemente, do que de qualquer segunda intenção, até porque está antecedida do art.º 56º do DL 437/91, que é o horário em vigor para Enfermeiros. E sem negociação colectiva celebrada pelos sindicatos não há alteração legal aos nossos horários.
Alguns desprevenidos legalmente pensaram ver nas 40 horas semanais a galinha dos ovos de ouro.
Pura ilusão!
Aplicado um sistema parecido com a sifonagem pode ser que as ditas 40 horas semanais submetidas à sifonagem podem dar turnos de 7 ou 6 horas diárias.
E para o que estão a pagar aos Enfermeiros, até já são horas de trabalho, a mais.

Com amizade e sem medo das moscas varejeiras 
José Azevedo

PRÓS E CONTRAS

Prós e contras sobre a Saúde

Prós e Contras: um debate que acabou submerso num fátuo ‘guarda-chuva’…
O debate no programa da RTP ‘Prós e Contras’ sobre o SNS mostrou, desde logo, como um fórum de análise se pode transformar numa ‘mixórdia’ de opiniões. De facto, perante o que estava em discussão não se conseguiu ultrapassar uma tímida tentativa de abordagem acerca de um sistema que agoniza na sua universalidade (mais de um terço dos cidadãos ou desfrutam de subsistemas ou de seguros de saúde) e na outra vertente deste ‘serviço’, a acessibilidade, são conhecidos – diariamente - rupturas, barreiras e escândalos.
Voltemos ao debate.
Um dos lados, ao proceder à análise objectiva das consequências dos cortes orçamentais no sector da saúde não conseguiu demonstrar cabalmente as consequências directas, ficando-se muitas vezes pelo intangível.
O outro lado apostado em defender ‘à ultrance’ as políticas sociais governamentais envolveu-se num retórica balofa com resquícios de soluções ‘pret à porter’.
Espantoso, em todos estes debates à volta do SNS, é não aparecer ninguém com coragem (política) de, em público, advogar o fim do SNS e a sua substituição por um ‘modelo americano’, ao estilo ‘tea party’. Mas, todavia, esses portugueses existem e não será difícil enxergá-los na proximidade dos centros de decisão. Só que esse discurso não aparece – por enquanto – por vergonha e receio de consequências políticas e quando aflora apresenta-se travestido em volta de insondáveis e anacrónicas medidas ditas de ‘reforma’. Melhor dizendo para ser mais fiel ao tradicional armamentário ideológico neoliberal usado nestas situações: ‘reformar com vista a garantir sustentabilidade’.
No referido programa foi possível ver e ouvir de tudo um pouco.
Começando pelas (boas) intervenções.
Prof. Constantino Sakellarides tentou abordar e explicar as oscilações dos indicadores estatísticos de saúde que surgem, ainda, camuflados a nível nacional mas têm já um rebate bem visível nas regiões onde o rendimento per capita é mais baixo. Aliás, as intervenções do professor estavam facilitadas pela intuição pública onde grassa a convicção que o edifício do SNS começou a oscilar e ameaça derrocada manifestada na qualidade das respostas e acessibilidade. Toda a gente sabe que quando se analisam estatísticas em saúde em termos de sustentabilidade financeira e de eficiência partindo unicamente do PIB bruto sem observar cuidadosamente o PIB per capita é impossível encontrar a realidade, detectar as assimetrias e perceber as desigualdades. Com o seu meritório esforço pedagógico o professor perdeu imenso tempo a pregar no deserto. O que num programa com as enviesadas características do ‘Prós e Contras’ é fatal.
Transitando para intervenções eivadas de lugares comuns e algumas banalidades surge Álvaro Belezacom soluções aparentemente consensuais, mas pouco trabalhadas e desenvolvidas, como as que recentemente promoveu no seio do ‘Conselho Nacional de Saúde’ onde pretendeu auscultar uma multidão de intervenientes (através das ordens profissionais e de associações de doentes). Na realidade, nenhuma proposta, nenhum caminho, relativo a modelos de [re]organização (o termo ‘reforma’ foi gasto e pervertido por este Governo), nos diferentes vectores que estão sob a mira dos utentes e dos profissionais de saúde (hospitais, cuidados primários, urgências, etc.). Mais não fez do que personificar o vazio da liderança de A. J. Seguro que, quando quer entrar no terreno da realidade e das propostas concretas, invariavelmente, claudica.
Do outro lado, a vulgaridade foi personificada pelo Prof. Manuel Antunes, indubitavelmente um cirurgião cardíaco de elevado mérito, mas um profissional que dentro do SNS sempre usufruiu de um regime excepcional e convive com ‘situações privilegiadas’, nomeadamente no campo contributivo que nunca vêm a talhe de foice. Na verdade, a transição entre o bom profissional e o ‘teórico das políticas de saúde’ está sujeita a muitos percalços. Não basta escrever livros onde enigmas e suposições são avulsamente encadeados e misturados (‘A Doença da Saúde’) para se tornar uma autoridade ou uma referência na matéria. Aliás, o Professor que ao longo do programa revelou ter forte afeição pela ‘ciência baseada na evidência’ não resistiu a citar os estafados 25% de desperdício do SNS que, como sabemos, partiu da ‘boutade’ de um auditor do Tribunal de Contas e que tem feito incessante caminho (à margem de todas as evidências) para atacar o SNS.
Ainda deste lado da barricada o ‘laureado’ presidente do CA do CHUC assumiu as honras da casa e prestou ao Governo as devidas mordomias. Voltou a endereçar os louros aos profissionais do seu Hospital em jeito de salamaleque mas não se coibiu de incensar e enfatizar as políticas governamentais, nomeadamente reformas párias ou inexistentes e de perante o espectro de evitar a claudicação interna (o que estava em discussão), anunciar a aposta numa ‘internacionalização’ (‘externalização’) errática e ‘turística’, indiciando uma fuga em frente sob os escombros de insuportáveis atropelos à acessibilidade. A sua saga laudatória chegou ao cúmulo de apressar-se esgrimir como argumento para salientar todos os poucos êxitos e aliviar todos os muitos desaires e resolveu afinar o discurso pelo diapasão ‘situacionista’, citando – totalmente a despropósito - o laudatório artigo do Finantial Times. Nesse momento tivemos à nossa frente um ‘herói’, preconício e sem surpresas. E está tudo dito. Como se não bastasse este painel há ainda que considerar as intervenções da plateia.
Para além dos diversos Bastonários (OM, Farmacêuticos e Enfermeiros) que pouco acrescentaram à discussão e ao que repetidamente têm denunciado, será de registar a esclarecida e oportuna intervenção da presidente da APAH, Marta Temido que, mostrou clarividência e sentido de responsabilidade ao avisadamente conotar as oscilações de indicadores que estão a ser detectadas no terreno e nos resultados como importantes ‘sinais de alerta’. Ao denunciar os contornos do pretenso ajustamento do SNS - segundo o Ministro feito à custa de uma ‘eficiente’ política do medicamento – que em larga medida não poupou os profissionais de saúde, cujos vencimentos (suplementos e horas extraordinárias) foram literalmente ‘esmagados’ e cujas carreiras estão à largos anos ‘congeladas’, representando um factor de desmotivação que tem sido sistematicamente escamoteado, esteve bem.
Finalmente, e para rematar foi possível ouvir neste programa o inimaginável. Perante presumíveis e citadas oscilações de indicadores de saúde (como a tuberculose e taxa de mortalidade infantil) ouvimos e vimos o Director-Geral da Saúde tirar do bolso números referentes a 2013 (não oficialmente divulgados) para ‘calar’ a discussão e intimidar (alguns) intervenientes. Apresentou-se como o ‘fiel’ dono e feitor das estatísticas. Um autêntico ‘malabarista epidemiológico de ocasião’ que, felizmente, o Prof. Sakellarides teve oportunidade de desautorizar (para quem quis ouvir). De facto, no site da DGS (Portal da Estatística), editado 7 dias após o debate (em 22.02.2014), a taxa de mortalidade infantil referenciada é de 3,4/1000 nados vivos. Ora, em Coimbra, o Sr. Director-Geral afirmou ‘já saber’ que em 2013 essa taxa será inferior a 3/1000 nados vivos. Com esta sonegação de dados estatísticos toda e qualquer discussão está à partida viciada. Mas é neste País que vivemos (os que ainda não conseguiram emigrar).
Resumindo: Estamos num ‘estado’ em que o SNS não cabe na simplista barricada de prós e contras. Os ‘contras’ (aqueles que apostam no desmantelamento do SNS) julgam que este [ainda] não é o momento de dar a face. Por ora estão empenhados em esconder ou mascarar com aleivosias os resultados dos cortes orçamentais no SNS, para denodadamente prosseguir o ‘seu’ trabalho.
Na realidade, a intervenção política da noite teria sido a do ‘pai do SNS’, ao denunciar a saga de destruição do Estado Social, como programa político e ideológico deste Governo. Teria rematado em beleza (ou em socorro do ‘outro’ Beleza) este programa se acaso não tivesse optado por tentar abrigar o SNS debaixo de um fátuo guarda-chuva, personificado pelo gestor Paulo Macedo que, estranha e inusitadamente, considerou ser ‘um travão’ à desvairada ‘fúria neoliberal’ deste Governo.

E-Pá!

NOTICIAS VÁRIAS





























terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

"VALE SEMPRE A PENA"...

Renasce dia-a-dia mais a esperança no despertar dos Enfermeiros.
Desprezados pelo Ministério da Saúde e distantes da política de gestão apócrifa e alheia às  realidades concretas, são cada vez mais as pessoas que nos procuram para saberem a verdade das coisas.
Nunca foi nosso hábito manipular ninguém e sentimo-nos, cada vez mais, compensados por essa prática.
Escrevemos, em traços largos o que se passou nas VI Jornadas de Enfermagem do Magalhães Lemos. E para se ver o impacto que as nossas palavras tiveram, eis que dos pontos mais distantes, não em km, porque Portugal é um pequeno rectângulo, mas em abandono, alguém quis saber mais, sobre o porquê de o Ministério da Saúde ter celebrado, ou proporcionado a celebração de 3 Acordos Colectivos de Trabalho (ACT) com a Classe Médica que, à partida, tinha os mesmos simulacros de carreira que os Enfermeiros e, ainda, não ter celebrado nenhum ACT para tapar os muitos buracos que tem a "carreira" dos Enfermeiros, dispersa por 4 diplomas incoerentes e injustos.
O Sr. Secretário de Estado da Saúde tem feito combinas pontuais com o SEP, para manter calados e quietos os Enfermeiros, durante três anos. Foi escrito por ele.
Como compensação, publicou-lhes a portaria da Direcção de Enfermagem, que mais parece uma flauta, para permitir que instale os seus "controleiros" como interlocutores, intermediários, capatazes, porque a "intelligentsia" suprema da "organização", reserva a palavra coordenadores só para Médicos;
quanto ao termo "chefe" esse é para abater, porque aquela gente o que não controla, abate, destrói.
O ruído que faziam à volta destas coisas muito reais e concretas, nem sempre tem deixado ver a verdade e as consequências.
Só que as evidências, já são tantas que nem os "Zéspereiras", com a chinfrineira dos seus bombos, conseguem abafar.
Quando vimos um ingénuo clássico babar-se todo, com os efeitos que recebeu da plateia, quando chamou Presidentes da Direcção de Enfermagem, aos vogais Enfermeiros de conselho clínico de ACES, escolhidos por Médico, de entre os acomodatícios, ao "status quo",  fica-se a perceber melhor a enormidade da pequenez de quem representa os Enfermeiros, em áreas como a OE e outras.
Quanto vemos o Presidente do SEP dizer que assim é que está bem (7/12/13 no Lutécia in reunião de  associações da Classe Enfermeiro), porque o actual governo não dá garantias de fazer melhor, percebe-se a ingenuidade militante destes anjinhos, que se satisfazem com umas pancadinhas nas costas e saem de mãos a abanar e todos contentes, "sem fazer nem sair de cima"!
O Sr. Ministro da Saúde continua a pretender prestar cuidados primários com Médicos, sem dar conta que está a ser enganado pelos seus conselheiros, que, ou são Médicos ou Farmacêuticos, ou piores do que estes, da firma Correia de Campos e Cª. Ldª.
Ainda não percebeu, ou finge não perceber, por razões que desconhecemos, que os Cuidados Primários são uma área dos Enfermeiros, por excelência.
Meter mais Médicos na rede é criar, ainda mais problemas, onde ainda não existem; é complicar coisas simples; é poupar na farinha e gastar, no farelo.
Quanto mais tempo andar a enganar o Povo, com a versão esfarrapada e inadaptada do "Médico da Família" (nome copiado do Enfermeiro de Família, já do Séc. 19º), só agrava a situação.
Pior; demonstra não saber a diferença entre inventar e/ou curar as doenças.
Opta pela doença da moda: o diagnóstico.
Mas o que o Povo precisa é de cuidados dos Enfermeiros, em continuidade, da periferia para o centro hospitalar e deste para a periferia.
Quanto à doença da moda, o diagnóstico, não nos pronunciamos, pois à falta de melhor; o Povo tem de acreditar nalguma coisa, mesmo que o cancro do cólon não apareça, é preciso rentabilizar o investimento, no material que o despista.
Quantos pólipos não morreriam à nascença, se mantivessemos os hábito de comer as cerejas com o caroço!
Vejam as notícias de ontem do DN, onde estão a ser implantadas as 40 hoas semanais voluntárias para Médicos, com 45% de aumento.
Invejoso eu? Não, mas: clamante e reclamante por justiça, num país que deixa umas castas explorarem as outras!
E não vemos nem ouvimos remadores contra a corrente. Pelo contrário; aprovam tacitamente mais esta enorme injustiça, como se o trabalho deles, que se respeita e admira, fosse mais válido que o doutros, o nosso, por exemplo.
Claro que, já há quem diga que "Deus é a ciência" e volta o problema de saber se se chega, até Ele, pela Fé ou pela Razão.
Como, em saúde, para os ignorantes, a ciência é só dos Médicos, o Ministro da Saúde, parece estar convencido, que apostar nos Médicos, é conseguir 2 em 1: ao mesmo tempo que consegue fornecer, pelo menos, um diagnóstico/doença, aproxima os pacientes de Deus.
Não foi Platão que disse que os corpos são os cárceres das almas?
Não foi o Cristianismo difundido, através do Neo-platonismo, animado pela Patrística Grega, de há 2.000 e tantos anos?
Os éticos da escola dos Cínicos diriam: quanto mais depressa libertarmos as almas do seu cárcere natural, mais depressa voam para o Céu das ideias, de onde partiram para o seu cativeiro.
Ai, Alvim, a vida está a ser assim...Rir, mesmo das coisas tristes, é um bom tónico para a saúde, enquanto não vai ao Médico de família, mesmo que pertença ao grupo dos "sem-abrigo". 

Com amizade,
José Azevedo