segunda-feira, 11 de março de 2013

ENFERMEIROS AFASTADOS


 

Tem alguns sinónimos: ausentes, distantes, retirados, arredados e até, desterrados. A questão está em saber se esse afastamento é voluntário ou imposto.

Se é voluntário, a coisa é mais grave;

Se é imposto, é mais fácil criar as sinergias, para retomar a posição na administração a que os Enfermeiros têm direito e a  saúde precisa e merece, mas que o prec administratório, que invadiu os serviços de saúde, ajuda a marginalizar. Tudo é número; até eles, administrunculos são uns números.

Ora, sem a sensibilidade enfermeira tudo é perigoso e inerte.

Surpreendeu-nos positivamente a Senhora Presidente da SRC da OE, que começa por dizer no Diário de Coimbra de 7/03/2013: «Os enfermeiros estão a ser progressivamente afastados das funções de gestão nos Cuidados de Saúde Primários (CSP), não obstante serem a classe profissional mais representativa no sector. {não obstante faltarem lá muitos para operar a reforma que se impõe e não a do “mais-do-mesmo-para-pior}

A SRC, bem como as outras Secções Regionais estão a trabalhar numa proposta conjunta, para enviar à tutela, que recrie o papel (e a tinta) da direcção de enfermagem.

A SRC considera que atualmente se verifica um vazio em termos de hierarquia e que esta penaliza a qualidade e supervisão técnica dos cuidados de enfermagem. Lembrando que antes da reforma daquele sector da saúde a direção de Enfermagem estava garantida. (Mas já havia uma escola a minar, reciclando, com adaptações, o papel que teve, em 1975 na preparação dos chefes  para serem nomeados por concordância e conveniência, do tipo “ovos moles”). Estamos perante um vazio legal nesta matéria, já que os Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES), entretanto criados não contemplam a figura de enfermeiro diretor. Os enfermeiros sendo a classe profissional mais representativa, não faz sentido que não sejam chamados a fazer a gestão dos seus próprios cuidados e, pelo contrário, tenham vindo a ser progressivamente arredados dessas e de outras funções de direção, contesta a responsável regional (nacional por inerência) da Ordem…». Isto é o que dizem e pensam os representantes da OE.

E o que diz e pensa a Ordem dos Médios?

 «A Ordem dos Médicos recusa a necessidade de criação de outras especialidades de enfermeiros nos centros de saúde e reforça a importância da enfermagem ficar sob a liderança responsável do médico de família».

Perante esta dispersão impõe-se a pergunta;

Quem manda?

Na Ordem dos Enfermeiros o atrevido e desbragado bastonário da OM, tenta mandar, como se vê claramente, pelo que impõe aos enfermeiros, ao não querer especialidades, nos enfermeiros e ao pô-los sob a liderança do “familiado”.

Mas o desbragado manda mesmo, perante a passividade dos semi-eunucos  que andam por aí.

Senão vejamos: não consegue o cujo dito meter o vogal de enfermagem no conselho clínico (o acamado) e outros piores do que ele, não lhe iam fazendo a vontade, ao quererem vender‑nos, impingindo-nos um enfermeiro diretor, nesse “pomposo encargo de vogal de conselho clínico”, entre muitos outros, onde tem como função, reunir uma vez por mês, segundo o estatuto do órgão e, depois da reunião, volta à sua especialidade, que o bastonário da OM não deixa exercer, porque o familiado esgota esse conceito, nos P1.

Claro que alguém tem de ter tento e responsabilidade e devolvemos a proposta à procedência, exigindo respeito pelos Enfermeiros, incluindo os dos Cuidados Primários, e a criação urgente da direção de enfermagem, liderada por Enfermeiros e não por autoconvencidos.

Mas, atenção; lembram-se do que e dos “quems” andaram a prometer em termos de chefias de enfermagem por nomeação de favor e complementaridade e cumplicidade?

Lembram-se do apoio que alguma escolas de enfermagem deram ao fazer o figurino dessa chefia?

Como, em 1975 fizeram com as direções de escolas, etc…

Não culpemos somente os outros; há entre nós, quem ajude a destruir a enfermagem, por não entender a sua superioridade ou não admitir. É por aí, que temos de começar a arrumar a casa. Sem limparmos esse joio, o trigo da seara não cresce, porque o joio, como erva daninha que é, atrofia o desenvolvimento da planta boa.

O joio sabe do que falamos e do que andou a prometer à claque de apoio. Banalizar a enfermagem é abrir as portas à liderança de outros profissionais, que julgam os enfermeiros de bom comer, como diria o outro…

Acordem, Colegas; ajudem-nos a acabar com estas fantochadas, que tanto têm prejudicado a nossa Profissão.

Ao ataque!

domingo, 10 de março de 2013

SOFISMA


Sofisma

Hoje vamos falar dos sofismas OM, que recorrem a premissas falsas para produzir raciocínios de conclusões falsas ou, no mínimo falaciosas.

Para que não venham os sedentos do saber, queixar-se de que não sabem entender o que se diz, comecemos pelo

SOFISMA, que, numa interpretação ligeira é: “argumento falso ou falso raciocínio formulado com o fim de induzir em erro”.

O sofisma é a base da

SOFíSTICA, que é sabedoria aparente, porque assenta em falsas premissas e leva a vícios de raciocínio. Impõe-se, para total clareza saber o que querem dizer as

PREMISSAS, que são os 2 juízos (Juízo é o acto pelo qual se afirma ou nega uma relação de conveniência entre dois termos ou conceitos – Port-Royal), que antecedem a conclusão e dos quais essa conclusão decorre como consequente necessário. A conclusão viciada por uma premissa falsa é aquela e não pode ser outra, isto é; falsa.

Por isso, vamos atacar as premissas falsas que os nossos companheiros de trabalho, Médicos de profissão, usam para nos darem a volta e desviarem da lógica formal, onde as premissas são reais, autênticas, porque traduzem a realidade concreta e não são fictícias, para induzirem em erro.

Esclarecidos os termos (respeito por aqueles a quem nos dirigimos, acima de tudo e de todos – os Enfermeiros) em que vamos apoiar-nos para desmascarar os embusteiros, sejam quem forem,  comecemos por um exemplo concreto:

«Enfermeiros não têm competências para substituir Médicos de Família», noticia o Conselho Nacional Executivo da Ordem dos Médicos, no 1º dia de Março 2013.

Para usarmos a lógica formal teríamos de saber o que é um Enfermeiro e o que é um Médico de Família; de que são capazes e competentes o um e o outro; em que se ocupam habitualmente.

Vamos dar como verdadeiras as premissas em que o um faz uma coisa e o outro, que não se confunde com o um, faz outra coisa; ambos actuam de acordo com as respectivas competências e responsabilidade.

Ora, se um tem umas competências e outro tem outras competências, é óbvio que nem A pode substituir B, nem o contrário; B substituir A. Sendo A = a Enfermeiro e B = a Médico, vamos usar A e B para facilitar as contas.

Sem sofisma, nunca o A pode substituir B; com sofisma, tudo é possível; até A substituir B.

Mas vamos ao fundo da questão; quais são as competências de B (Médico de Família) para que A (o Enfermeiro de Família) não tenha competências para substituir B?

Ou será que o que está em causa não é A substituir B, mas actualizar as potências de A, transformando-as em actos, que servem, com vantagem, de alternativas aos actos de B. Logo nem podem ser os mesmos actos, porque não assentam nas competências de B, mas nas do A; nem podem ser uma ingerência de A nas competências de B, pois o que se pretende é beneficiar o Sistema dos CSP com + A e – B e não criar um “crossfire”, satânico, perverso, que seria pôr o A a fingir de B e o B a fingir de A.

Como é mais que óbvio; se B, ao marcar o terreno, não tivesse exagerado, pois não reparou no que estava à sua volta e nos limites das suas competências, que acabam, exatamente, no ponto, onde começam as do A, não teriam os BB de estar a impar, tentando ocupar o que não é seu, fingindo supor que é, o que sabem muito bem que não é.

Querem uma prova de abuso de confiança e do impar dos BB?

Vejam esta: «A OM recusa a necessidade de criação de outras especialidades de enfermeiros nos centros de saúde e reforça a importância da enfermagem estar sob liderança responsável do médico de família…».

Com que autoridade é que este Ordeiro/desordeiro dos BB se mete onde não é chamado, classificando os Enfermeiros de irresponsáveis ou que a responsabilidade dos Enfermeiros, não é a que a licenciatura lhes confere, mas a que o medicofamiliado entender libertar-lhe?!

Imagine-se a Ordem dos Enfermeiros a dizer que não são necessárias mais especialidades médicas; aqui ou ali, porque os Médicos devem ficar sob a liderança responsável dos Enfermeiros. Nada impede a OE de usar o mesmo tipo de juízos. Só que não são tão atrevidos e inconscientes.

Estamos, pois, perante uma mudança de paradigma e não duma substituição abusiva de A por B, como está a confundir ingénua ou ignorantemente a OM, recorrendo ao sofisma tosco.

Duma forma ligeira podemos conceber que; se as competências são diferentes, A não pode substituir B, obviamente.

Mas serão as competências de B que estão em leilão, ou trata-se de competências, que tanto se ajustam ao perfil de A e, até é vantajoso, para o Sistema de Saúde, serem exercidas por A, ou;

Trata-se de B se auto eleger plenipotenciário e plenicompetenciário, sobrando para A tudo, além do que B carimba e marca, como próprio das suas competências. (ver como os cães e outros mamíferos marcam o seu território).

Como B marca tudo, em que é ou não é competente, o saldo sobrante das competências do B, é = 0. Logo o A não tem competências para substituir B, porque este é o detentor de todas as competências médicofamiliares, onde é plenicompetenciário e inventor da ideia. Só, através dele, é que o A tem competências que não seriam próprias do A, mas uma cedência selectiva e complementar das competências de B (ver a idiotice da complementaridade consentida por idiotas).

Dado que, na micção demarcadora das medicocompetências medicofamiliadas, mictaram em tudo que viram ou supuseram ver, à sua volta, nada nem ninguém escapou à sua imaginação mictória.

Perguntas incómodas para denunciar os sofismas desta teoria pseudocientífica dos BB:

De onde lhes vem tanta abrangência duma área que não dominam, na totalidade?

Qual o saber e responsabilidade investidos no envio de um Cliente, que só o especialista de especialidade pode tratar, ao documentar esse Cliente, com o famigerado P1?

Se é da sua Ordem, qual o papel da Ordem dos Enfermeiros, sendo seguro e legalmente certo que têm, ambas, competências legais equivalentes?

Será, porque mictões, que são, os BB, por excelência, terão chegado primeiro ao terreno e nele fizeram a sua micção demarcadora; ou terão abusado dos predicados que a sua umbilical visão transforma em plenipotenciários, para atropelarem tudo e todos, sobretudo os Enfermeiros, que já lás estavam, com outros Médicos, sem o rótulo de “familiados”, nem especialistas de generalidades, mas de especialidades e que foram os primeiros excluídos.

Se não chegaram primeiro, onde já estavam implantados os Enfermeiros, desde a versão preventiva à curativa, “só um chega pra lá”, pode ter permitido o abuso plenicompetenciário dos BB. Sem sofisma, é fácil concluir que quem está a substituir os AA Enfermeiros, sem competências para isso, são os BB Médicos.

Daí que os raciocínios baseados em premissas lógicas e reais (porque são baseadas nos factos reais, não os ficcionados pela OM, representante dos BB) levam-nos a concluir que os BB estão a substituir os AA, sem competências para isso. E não é difícil demonstrá-lo logicamente.

Mas se afundarmos mais a sonda da lógica formal, quais foram os critérios de validação de que a Ordem dos BB se muniu e usou, para concluir que: aproveitar as competências técnico cientificas dos AA é substituir os BB?

O sofisma está nas premissas falsas ou falaciosas, no mínimo, usadas por B de que obrigar os Enfermeiros AA a porem em prática as suas competências de AA, é o mesmo que substituir os BB, porque só os BB é que têm competências, a distribuir pelos AA, quando e como os BB entenderem.

Apesar de não ser cultura dos AA a personalização da “vultagem” , não obstante terem também vultos como Florence que reduziu a mortalidade de 42 para 2%, ao combater com métodos próprios, (já havia Médicos) e por ela inventados, a erisipela e a gangrena gasosa.

A outra falácia que é a de criar premissas erradas ou falsas é a de atrevidamente suporem que tudo é comandado por BB e que os AA só actuam por ação reflexa, como uma espécie de agentes, sem cabeça, para pensarem por si. Por aqui se vê o grave erro de não pretenderem admitir que os AA actuam por sua conta e risco, seguindo métodos, que lhes são próprios e que, por isso mesmo, os BB não dominam donde emerge a sua confusão falaciosa ou sofistica, como se demonstrou.

Outro infeliz exemplo de falácia fabricada pelo Bastonário dos BB é assim:

«Pretender que outros profissionais substituam os médicos já deu maus resultados, como aconteceu com os partos em casa». (in. Público sábado 9-03-2013, p 11).

Só não lhe chamamos mentiroso, porque é pouco para esta afirmação criminosa, que uma morte recente, no Hospital de Viseu duma puérpera, desmente; Como o desmentem os inúmeros partos feitos por bombeiros parteiros e parteiras sem serem bombeiros. O crime do cesarianismo lucrativo é estarem a cortar o treino às parteiras para partejar. Isto é crime contra natura.

Até a “mãe de Coura Gracinda”, como dizia o JN de Sábado, 9/03/2013, fez mais de 100 partos sem ter conhecimentos médicos sobre a ginecobstetrícia, alguns os quais a ela própria.

Ainda há dias Sandra Felgueiras fez uma peça na RTP1 e disse, de facto que entre 2007 e 2013 tinham morrido de parto, fora do hospital, 226 nascituros. Mas, não suportando a revolta que as suas tripas geraram, volta atrás e disse: «esqueci-me de lembrar que no mesmo período morreram 1000 nascituros dos que nasceram no hospital, por não resistirem ao parto».

Portanto as comparações dos Bastonário dos BB, que não vamos deixar sem uma resposta pronta e fundada, valem o que valem, que é pouco!

 

 

sábado, 9 de março de 2013

O QUE FAZ FALTA...


Tem sido um sucesso a distribuição dos pinos que anunciam o luto da Classe.

Aqueles que pensavam que era fácil dominar, espezinhando os Enfermeiros, hão-de arrepender-se de ter ido por aí, pois é esse tratamento que está a adubar a revolta que se agiganta, lenta mas progressivamente.

E a história vai repetir-se, garante-nos a estrela que nos orienta.

Em 1976 foi feita, pelos Enfermeiros, a maior greve de sempre, em Portugal, numa situação que se aproximava da atual, mas menos perversa, porque não tinha tanta maldade subjacente.

Mas a questão de fundo era a mesma; o vento suão que sopram, seca e queima tudo, por onde passa. Contentavam-se e contentam-se com pouco, porque defendem a teoria do “vale mais pouco do que nada”, teoria dos vencidos da vida. Estipulavam para a Enfermagem uma tabela salarial de miséria; a começar em 2.500$00 e a acabar em 5.000$00.

Eis que sopra a nortada vivificadora com a proposta dos 5.000 a 10.000$00. E foi esta a que venceu. “A história repete-se” diriam os defensores da teoria do “materialismo histórico”.

Primeiramente, alimentaram a ideia de fazer duas mesas negociais, como defendeu o causídico que lhes dá as ordens, no pressuposto do dividir para reinar no reino do “vale mais pouco do que nada”; os arautos pregoeiros da ideia dizem que se fossem únicos… se o vento suão soprasse com o exclusivo… não teriam a incomodidade renovadora da nortada.
Depois, reduziram a carreira de Enfermagem a uma única categoria, para que o alarve comilão se viesse gabar de que, quanto aos Enfermeiros, “já os comi!”.

As chefias de Enfermagem deixaram de ser necessárias, porque uma carreira de uma só categoria não tem direito a chefias próprias, coisa que esses ignorantes, em Enfermeiro, (que nunca exerceram), ou coisa pior demonstram desconhecer, ao destruírem a nossa carreira, como consta dos projetos que escrevem para quem os quiser ler.

Não é por acaso que o … da Silva, que capitaneia a OM vocifera que nos Cuidados Primários não interessam especialidades nos Enfermeiros, porque estes passam a ser liderados pelos Médicos (especialistas em generalidades). Cá está um bom exemplo de “quando os extremos se tocam”.
O … do Couto (o pantufinhas, como o eixo do mal lhe chama) comunga da ideia de “quanto mais USF melhor”, para não desafinar, no coro do Pisco, o Reformador dos CSP, e clama que: “é para andar com calma, devagar, não vá o animal acordar”, por isso usa as pantufas em vez das matracas, o que faz falta é… completar a frase, em homenagem ao Zeca.

Mas há sempre uma Oliveira, que desponta no horizonte, para untar a coisa, com o seu óleo precioso. Lá diz no Diário de Coimbra de 7 de Março que, ela e os restantes presidentes de regional, que integram, por inerência, a nacional, exigem, em nome da qualidade e da necessidade, uma Direção de Enfermagem, para os ACES. Ou leu o nosso protesto (da FENSE), no projeto asqueroso que nos foi presente, para simulacro de direção de Enfermagem, nos CSP, ou conseguiu perceber o que outros não percebem, ou então, fingem admiravelmente, que não percebem: a subordinação da direção de Enfermagem à direção clínica, começando pelos CSP, onde o concentrado profissional é menor.

Foi em Coimbra que reuniram as cortes da Ordem/Suão para apoiarem a ideia infeliz de que vogal de Conselho Clínico era igual a Diretor Enfermeiro, voltando tudo ao mesmo, com o fim do conselho ou reunião do conjunto, pois o Clínico (o Acamado), faz o resto, junto do executivo, que integra, como vogal, na companhia do vogal bombeiro ou autarca. (O que o Pisco pisca para o disfarce…). Mas, lá dizia a outra: “vale mais ser rainha numa hora do que…”. Só que “mais”, em saúde, não quer dizer melhor, dizem os Américos, do lado de lá do Atlântico. 
   
É em Coimbra que é anunciada a morte das silenciosas pantufadas do Couto.
Como diria uma carpideira banal: “tadinho, era tão novo e foi-se, ai, uai, ai”.
O Supino, feito bacante, gaba-se, nas reuniões bacanais, com os comparsas, que é o único que nos afronta. Ena, que valente!

Parafraseando Zaratustra, ao dizer: “o bom do velho ermita de tão entretido que andava a adorar a Deus, nem deu conta que Ele morrera na Sexta-feira Santa”, diremos: o bom do Supino, esse tropo convencido, nem consegue ver que não são os elefantes que destroem as colheitas, mas os pequenos moscos.    


quarta-feira, 6 de março de 2013

A Provocação do Dia


«A Ordem dos Médicos recusa a necessidade de criação de outras especialidades de enfermeiros nos centros de saúde e reforça a importância da enfermagem, “sob liderança responsável do médico de família”.
Sobre a legislação que enquadrará os enfermeiros de família, a OM defendendo que estes profissionais não têm competência para substituir clínicos». (In JN 6.03.2013)

Esta OM é mesma insidiosa e perversa.
Continua a insistir que os Enfermeiros não têm competência para substituir os Médicos”.
E tem muita razão ao defender a sua Classe Médica desta maneira;
Médico é Médico e clínico é doente acamado.

Concordamos com a OM (alguma vez tínhamos que estar de acordo) que os Enfermeiros não devem nem sabem fingir de Médico.

Mas por que carga de água é que os Enfermeiros hão-de fingir de Médico?
A OM insidiosamente está a sofismar de má fé uma questão para desviar a água para o seu moinho.
Com efeito, se Enfermeiro não tem competência para fingir de Médico;
Também Médico não tem condições para fingir de Enfermeiro.

Se Médico não tem condições para fingir de Enfermeiro, é porque não percebe de Enfermagem.
Se não percebe de Enfermagem, não tem que liderar Enfermeiros nem muito menos usá-los como muletas ou guarda-costas de consulta Médica. Os Enfermeiros não precisam das ajudas dos Médicos para executarem as suas tarefas, mesmo complexas.

A Enfermagem e a Medicina são duas paralelas que, como todas as outras, não se encontram, nem geometricamente, nem funcionalmente.
O que Médico e respectiva OM receiam é que Enfermeiro descubra e faça uso; “que a responsabilidade está acima da obediência” como determina qualquer código elementar ou básico,  de Ética e Deontologia.

O Enfermeiro não precisa de ser de família para ser útil, pois ele está acima da família; paira ao nível da comunidade, por isso; o mais correcto é chamar-lhe “Enfermeiro de Comunidade”, para os OM não continuarem a meter‑nos nojo com sofismas baratos e mal construídos, porque assentes em premissas fictícias ou distorcidas da realidade das competências de Médicos e Enfermeiros.
São tão auto convencidos, que ainda não perceberam que aumentar os cuidados de Enfermagem, gerais ou especializados nos centros de saúde, para não alimentarem pseudoconsultas médicas não é substituir os Médicos: é equilibrar as contas.

Pensam os pobres coitados que tudo que gira à sua volta é coisa  ou rés médica, porque a formatação da sua mente não consegue lobrigar mais além, do seu ego umbilical.

Estamos disponíveis para dizer a estes bacocos da OM que os desafiamos para lhes dizer o que é um Enfermeiro da era moderna, em Portugal e qual o seu património genético, desde João Cidade a Florence.
Podem escolher o local e os meios de comunicação, que até podem ser subsidiados pelos laboratórios ou pelos incentivos tipo USF.
Mas tentem perceber o que é um Enfermeiro e quanto tempo leva a formar para fazer o que é capaz de fazer.
Quando souberem isso, nem o abusam com consultas médicas, como muleta branca, a dar prestígio, ao coxo, nem receiam que venha a substituir os desperdícios.

Venham discutir connosco e não se arrependerão; até podem aprender algumas coisas que não sabem.
Um dia, o jornalismo, que temos, também vai perceber que entre médicos e Enfermeiros não há confusões, mesmo imaginárias.

Quanto às lideranças apliquem a receita a vossemecês, que bem precisam disso; os Enfermeiros têm líderes naturais e insubstituíveis. 
Vá, venham daí discutir connosco para deixarem de dizer asneiras em que só os bacocos acreditam e fabricam.

terça-feira, 5 de março de 2013

Mudar a Matriz



Do Centro Hospitalar do Alto Ave – Guimarães e Fafe (mais um rio a entornar na saúde), recebemos, (publicado no JN de 4.03.2013 p. 20) inserido nos projectos de 2013: - {Enfermeiros ao Domicílio: Um grupo de enfermeiros coordenado por médicos vai acompanhar doentes ao domicílio, após a alta, para prevenir reinternamentos}.

O tempo que vai levar a mudar esta matriz de pendor medicocrático, não é da nossa conta, pois temos feito muitos e variados esforços, para mudar esta maneira de pensar e de agir. E não esperamos milagres, por isso agimos de acordo com a nossa fé e esperança.

Não estamos a discutir a articulação do Centro Hospitalar do Alto Ave com os Cuidados de Saúde Primários; nem a impossibilidade de regresso ao Hospital dos Clientes bem ou mal tratados, nele,  mas a promiscuidade de conceitos e preconceitos, acerca de Enfermeiros e Médicos; Enfermagem e Medicina; competências respectivas, etc.

Na verdade, se os Enfermeiros vão prestar cuidados de Enfermagem; se os “Actos Enfermeiros” são os que os Enfermeiros praticam;

Se os Enfermeiros detêm responsabilidade ética e legal próprias, na execução dos seus actos, o coordenador Médico está a mais, pois não tem de estar a parasitar nos “actos enfermeiros” e vice-versa.
Se há lugar a um coordenador, nestes casos, ele terá de ser Enfermeiro. Mas não se justifica porque a responsabilidade pelo que faz e interpreta; é do licenciado Enfermeiro.

Para nós, não maldade nisto; trata-se de poeira mal sacudida, que o tempo tem conservado.

Horários de Trabalho dos Enfermeiros


Está a ressurgir mais uma tentativa de fraccionar os horários de “jornada contínua”, nas ARS, que é o horário legal dos Enfermeiros.

Aparentemente o que está em causa é uma tentativa de rentabilizar os recursos humanos, neste caso os Enfermeiros.

Mas não é só isso e, muito menos isso; as causas são mais profundas e insidiosas, agravadas de nem uns nem os outros se aperceberem do que se esconde por detrás das tentativas de fraccionar a jornada contínua; está a permanência abusiva dos Enfermeiros nas consultas dos Médicos, para lhes aumentarem o estatuto e guardarem as costas, luxos demasiado onerosos para a situação.

O plano de trabalho dos Enfermeiros tem toda a vantagem em ser organizado de forma continuada, quer internamente, quer nos domicílios dos Clientes.

Por sua vez, a carreira de Enfermagem é especial, como tudo desde os horários de trabalho ao restante. Por isso, estando em vigor o regime de trabalho estipulado no art.º 56º do DL 437/91 de 8 de Novembro, nº 1 e 7º e anteriores e seguintes a estes, não é honesto nem de boa formação estarem a impingir horários do regime geral aos Enfermeiros.

E quem tem medo de estar só, adopta um cão, porque abundam, nos canis, os abandonados, fruto da crise.
O pior de tudo isto é, além dos incómodos de quererem partir a jornada, ilegalmente, aos Enfermeiros, é impedirem-nos de organizarem os seus planos de trabalho em função dos Clientes e não dos Médicos ou outros empatas, justamente contrariando o argumento que usam para partir-lhes a jornada.
E o pior do pior é retardar, tanto quanto possível, até à exaustão, o aparecimento dos Enfermeiros, como são, perante o público, sua razão de ser e não aparecerem-lhe, como muletas de coxo.
Que usem bengala ou agarrem-se ao corrimão.

Senhores comandantes, deixem os Enfermeiros organizarem o seu trabalho, em plena liberdade e criatividade; deixem-nos ser artistas e não os provoquem com ilegalidades.
Basta!


domingo, 3 de março de 2013

A ÉTICA E A POLÍTICA

Nos últimos dias de Fevereiro, fomos confrontados com uma das consequências do mau exercício do PODER, onde se evidenciam as causas das coisas que vão acontecendo no SNS.

A nossa questão de fundo é;

Por que há tanta dificuldade em prover, definitivamente, os serviços de saúde, com mais Enfermeiros, com os que são minimamente necessários?

A verdadeira razão tem por base o entendimento que os políticos têm acerca dos Enfermeiros e do seu papel, na saúde, mesmo que, sistematicamente silenciada, não vá alguém para além de nós, dar por isso.

Quando o ex-primeiro ministro de um país é contratado para um alto cargo de presidente de um laboratório "Octapharma", para um continente, a América do Sul, com o frágil argumento, face à lógica, de que :
conhece bem a problemática dessa zona, em matéria de saúde, em vez de se dizer; "que está a ser compensado com os favores que fez, com a contratação de aquisição do plasma sem concurso público, com os respectivos filtros, indo ao ponto do fornecimento ser exclusivo, ou quase, indicia uma opção virada para interesses menos prioritários e legítimos".

Mas com estas voltinhas à volta de um assunto tão sugestivo, talvez estejamos a contactar com a fonte de alguns problemas tais como as nomeações de certas pessoas para certos cargos, além de bem remunerados, potenciadores de novos negócios.

Para a América do Sul poderia haver algum perito, nomeadamente autoctone capaz de vender o plasma a preços módicos.

No Brasil houve uma ligação aos vampiros e à máfia dois parceiros que não estão muito bem cotados na bolsa de valores humanos e morais.

Por cá, até deixavam estragar o plasma recolhido, cá, nas dádivas generosas, porque era preciso branqueá-lo e não havia forma de fazer essa lavagem.
Por isso azedou...Isto passou-se no HSJ, se bem se lembram, os que ligam alguma atenção a estas coisas.

Começam a vir a lume certas coisas que indiciam outras coisas
capazes de espicaçarem a nossa curiosidade interessada.
Se por aqui chegarmos à manutenção dos nomeados pelo governo socrático para altos cargos da saúde e a sua intocabilidade, no actual governo...

Podemos ter descoberto o filão dos desperdícios e das origens e destinos de certos fundos e fundos certos e a guerra que se desencadeia quando se mexe nas moléculas.

Esperava ver o ex-primeiro ministro ligado a uma qualquer lixeira, mas aos vampiros mafiosos, como informa o DN, é coisa que a minha perversidade mental, que julgava substancial, não conseguiu imaginar, o que me preocupa...

Por isso é que ele lia o inhdicador da proporcionaliade entre Enfermeiros e Médicos, ao contrário: «Quantos mais Enfermeiros, proporcionalmente, a Médicos, mais empreendedores, alegres e confiantes são as pessoas» . Sócrates lia isto ao contrário, por isso enxameou os serviços de saúde de Médicos e incentivou os protestantes de rua a clamarem por falta de Médico de Família.
Algfuém se lembraria de lutar por Enfermeiro de Família ou de comunidade?

As receitas dos Enfermeiros não prescrevem asmas nem plasmas, porque ainda vêem a televisão a preto e branco... Por isso investir nos Enfermeiros não é lucrativo para as associações de vampiros.

Lá dizia o côdeas que o sector da saúde português era uma área onde valia a pena investir. Pelos vistos!...